Jeso Carneiro

Floriano Peixoto? Quem foi Floriano?

Advogado e historiador, Ismaelino Valente comenta o post Troca de nome de rua gera polêmica:

Me parece desnecessária e meramente virtual essa polêmica. Pegunte-se a qualquer transeunte em Santarém se ele sabe quem foi o Maestro Isoca e pergunte-se ao mesmo tempo se ele sabe quem foi Floriano Peixoto.

Isoca, dirão de bate-pronto, é um dos representantes-mor da cultura santarena, ao lado do Emir Bemeguy, do Paulo Rodrigues dos Santos, dos irmãos Sussuarana, dos irmãos Fonna, do João Santos, da Dica Frazão (que graças a Deus ainda vive, lúcida e atuante) e muitos e muitos outros. Nada mais justo, portanto, do que nomear logradouros públicos da cidade com seus nomes para perpetuar-lhes as memórias.

Floriano – ah, o Floriano, se for lembrado, talvez o seja somente pelos mais idosos (e nada contra os idosos, pois já sou um deles!), porque ele foi o vice do Deodoro da Fonseca (atenção: acho que Deodoro nem é parente do Maestro!), que assumiu a presidência da República para completar o mandato do primeiro e sufocou com mão de ferro algumas revoltas, daí ter ficado conhecido na história como o “Marechal e Ferro”.

Como personagens da história – bons ou maus – como, por exemplo, como Garrastazu Médici, Costa e Silva e o próprio Getúlio, que foi um tremendo ditador, e todos com nomes de avenidas, vilas, cidades estradas e pontes -, não tenho nada contra eles serem lembrados com seus nomes em ruas, praças e outros locais públicos.

Uma única sugestão, que, aliás, eu já fiz há tempos à Câmara da minha terra, em Alenquer: quando tiverem que trocar o nome tradicional de uma rua ou logradouro público, por favor, aproveitem o embalo e não esqueçam de transferir o nome do substituído para uma outra rua ou logradouro – principalmente nos novos bairros, onde as ruas são nomeadas por letras ou número que nada representam -, pois assim teremos mantida e preservada a memória da cidade.

Santarém deve estar cheia de ruas sem denominações específicas, que podem receber tranquilamente o nome do Floriano. O centro da cidade tem muito mais a ver com o Maestro Isoca do que com Floriano. É ou não é?

Meus aplausos, portanto, ao projeto aprovado. Ficando o lembrete para os vereadores: encontrem logo outra rua para plotar o nome do Floriano e a polêmica se descanece. Não deve ser tão difícil fazer isso.

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