
por Jeso Carneiro (*)
Se a reeleição do prefeito de Óbidos (PA), Chico Alfaia (PL), já se configurava como possibilidade remota até semana passada, conseguiu ficar ainda pior com a morte por infarto fulminante neste domingo (2) do presidente da Câmara de Vereadores, Nivaldo Aquino (Podemos).
O parlamentar era apontado, até pela oposição, como o mais fiel e forte cabo eleitoral da base governista. Na eleição de 2016, ele foi o 3º mais votado do município (1.070 votos).
Nivaldo Aquino, 58 anos, estava no 4º mandato de vereador e no 2º como presidente da Câmara. Sobrava-lhe experiência e artimanha, acumuladas em 20 anos de trajetória política.
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Sem ele, Chico Alfaia vira o azarão da disputa para prefeito deste ano. Periga, inclusive, de ter menos votos que o vice-prefeito (e agora desafeto) Isomar Barros (PCdoB) e Rose Barros, também pré-candidata ao cargo.
Se isso ocorrer, será o fundo do poço de uma decadência política inimaginável há 4 anos, quando Alfaia chegou à Prefeitura de Óbidos a bordo de 45% dos votos válidos do município e no embalo de uma tal de “onda azul”.
O cenário se complicou para Alfaia, com a morte de Nivaldo, também na Câmara. O novo presidente, Rylder Afonso (PSDB), debandou para oposição após sofrer reiteradas atitudes de retaliações do prefeito. O tucano não revela, mas está com o sangue nos olhos para desforra.
Com Rylder no comando da Casa, pode escrever: CPIs para investigar irregularidades — que não são poucas — no governo devem ser aprovadas sem dificuldade alguma e, pior (para Alfaia), ter tramitação rápida.
A previsão de clima para o prefeito na Câmara em 2020 é, portanto, de chuvas e trovoadas inclementes, um inverno rigoroso com possibilidade de enlamear ainda mais sua impopular gestão.
Pior que está, algumas vezes, fica. E ficou para o atual prefeito de Óbidos com o falecimento de Nivaldo.
— * Repórter, é editor do Blog do Jeso.