Jeso Carneiro

Câmara atrelada ao Executivo

Análise do leitor que se assina Cesar Bueno do artigo mais comentado da semana, Ano novo, velha política santarena, da lavra de Ib Tapajós

Jeso, li o artigo e os comentários com atenção.

A análise do Ib Sales Tapajós no geral é boa. Embora ela tenha resquícios de uma visão purista da política (como se a pureza fosse possível..), não há como negar dois fatos muito claros que ele aponta:

1) a eleição de Henderson Pinto como presidente significa o fortalecimento do grupo político comandado pelo deputado Lira Maia.

2) A atual composição da Câmara, em que os partidos da base de apoio ao Governo Von tem ampla maioria, é nociva à democracia.

A existência de uma oposição forte e consistente é um elemento muito importante em regimes democráticos, até como mecanismo de controle dos governantes. Na falta dessa oposição, o egislativo fica fragilizado em sua missão constitucional de fiscalizar os atos do Executivo.

Quanto aos comentários, sobram ataques baixos, pessoais, desonestos contra o autor do texto. Sobre tais comentários, nem vale a pena se debruçar, até porque eles nem mesmo conseguem rebater os argumentos defendidos pelo Ib.

Mas gostaria de fazer uma reflexão a partir de alguns comentários: foi dito que o Ib e a “turma do PSOL” ficam detonando um governo que mal começou; que tem inveja e despeito contra o Alexandre Von, e outras coisas mais.

Ora, Jeso, quem lê o artigo com calma percebe que o autor não tece crítica alguma ao prefeito Alexandre Von, ou a algum dos integrantes da sua equipe de governo. A crítica se dirige à CÂMARA DE SANTARÉM.

Aí reside uma confusão muito frequente nas discussões políticas que acompanho. Muitos políticos e “analistas” ignoram que o papel de um vereador e do poder legislativo não é ser “braço” político do prefeito.

O papel do legislativo é fazer leis visando o bem comum e fiscalizar os atos do poder executivo. Cada vereador, seja da base aliada ou da oposição, tem que fiscalizar o prefeito. Caso contrário, estará usando seu mandato movido por interesse próprio, e não a serviço da coletividade.

No entanto, falta essa clareza para muitos. Por isso, criticar o Henderson Pinto é como se fosse criticar o próprio governo Von. Enquanto essa confusão do legislativo com o executivo não for desfeita na cabeça dos políticos e, principalmente, dos cidadãos, a democracia brasileira deixará muito a desejar.

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