Jeso Carneiro

Cabanagem e Coluna Prestes

Advogado, militante do PSOL, Gleydson Pontes comenta o artigo Cuipiranga e a luta contra o esquecimento, da lavra do professor universitário Florêncio Vaz:

Essa história me fez lembrar a fantástica história da Coluna Prestes, com a sua odisséia, num levante militar pela moralização da política republicana brasileira através da luta armada, que atravessou 18 estados, por pouco mais de dois anos, sem ser derrotado pelo governo corrupto de Artur Bernandes, em que também oficiais do quartel da cidade amazônica de Óbidos se rebelaram.

No caso da coluna, por mais que tenha recebido adesão de diversos civis da classe pobre dos Estados, não deixou de ser uma ação exclusiva dos militares para reformar a política republicana (miopia política da qual da Coluna apeans Carlos Prestes se libertou, tornando-se comunista, por entender o que se estabeleceria no lugar da política dos coronéis).

Essa “saúde civil” dos colunistas (como cantou Fafá de Belém), em tempos anteriores, também encheu o coração dos homens da Amazônia para a difícil decisão de participar corajosamente da luta para destruir o que lhes oprimia. Embora assim como os colunistas, os cabanos foram legalistas – como nas palavras de Florêncio, outros elementos estiveram em ação na Cabanagem.

É um orgulho para mim, “tapajoense”, conhecer que em nossa região essa sede de justiça (contra os abusos das autoridades) contagiou homens simples do século XIX, ao ponto, ao custo de suas vidas, de buscar tirar o poder do Estado das mãos dos seus opressores.

Quando a corrupção na política institucional alcança grau inadmissível pela tolerância moral do cidadão (Cabanagem e Coluna Prestes), e as disputas eleitorais pelo poder são inviáveis, acabam ocorrendo episódios de desobediência ao governo e levantes milicianos. E a história está cheia de exemplos como Cuipiranga que confirmam isso.

Viva os 175 anos de Cabanagem!

Viva a autodeterminação dos povos da Amazônia.

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