O post Memória – Sem Avatar suscitou o comentário a seguir, do leitor Solano Lira:

O cinema de forma geral passou por uma profunda adaptação, uma adaptação ao consumo e a seus mecanismos legítimos.

Os filmes artesanais, que exigiam talento único, foram abandonados e em seu lugar (para atender ao consumismo moderno, vertente capitalista em tudo enraizado) a computação gráfica ganhou espaço.

Daí foi preciso também adaptar o telespectador moderno, amante da velocidade, do desconhecido, da imagem (colorida, diga-se!), influenciado pelas propagandas, pelas novidades desse mercado que se avoluma. Assim, o cinema ficou comprometido, lançou-se a mares incertos, desconhecidos e ameaçadores de sua existência enquanto arte.

Em meio a isso, a televisão, mais aventureira em seu propósito de vender e dominar o imaginário, tomou o espaço da sétima arte, invadiu lares com vasta capacidade de dominação, oferecendo alternativas repetitivas, similares de assuntos e temas que se esgotam em pobreza, mas possuem estratégias apelativas e vendáveis.

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Hoje, pelos estudos recentes, a televisão também sofre forte ameaça diante da facilidade com que as pessoas encontram vídeos e passam a assisti-los em qualquer espaço, no momento em que poderiam estar diante dos canais abertos.

Toda a exposição acima parece nos apontar para uma direção: não foi necessariamente o cinema que mudou, mas sim o público que exige menos, passou a ter curiosidade pela promessa tecnológica. Não restou outra alternativa: o cinema precisou mudar e lançar-se nesse mundo de incertezas, de especulação como tudo da modernidade.

Eu, que vivi muito tempo mergulhado em Akira Kurosawa, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, sinto saudade e lamento nossos tempos modernos.

Sobre o último diretor, por exemplo, quem teria paciência de assistir a trilogia da incomunicabilidade, que se arrasta pela lentidão? Ou os sete samurais (206 minutos), de Akira?

Hoje eu comparo dois belos filmes: Cinema paradiso, (de Giuseppe Tornatore) e Quarto 666 (de Wim Wenders). O primeiro me impulsiona a admirar o cinema, a recuperar o que já se atribuí ao esquecimento. O segundo me faz pensar que o futuro do cinema está comprometido.

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Um comentário em: Cinema e telespectador moderno

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  • Jolen disse:

    De fato o verdadeiro “Cinema” que exprassa a arte com todas as atribuições , hoje fica recluso em uma pequena categoria nas locadoras que as vezes é intitulada de Cult ou Clássicos.
    É evidente que o Oscar premia toda essa banalização de consumo que tornou o cinema um mercado de entretenimento, que o Solano citou, mas outras premiações como Veneza, Cannes e Berlim, me fazem acreditar que ainda há um espaço para o Cinema arte. E sempre haverá audiência sensível a arte dos filmes que vai além do se vê e que estarão dispostos a prestar tributo aos mestres.
    É interessante considerar que para analisar todos os elementos de um filme do Fellini, por exemplo, é necessário toda uma carga de conteúdo, da qual muitos não tem acesso na sua formação educativa, e não são estimulados pelos meios de comunicação citados.
    Ano passado, um grupo de amigos, a maior parte acadêmicos de direito da UFOPA, estendemos uma lona na caixa dagua da UFOPA, emprestamos um datashow e uma caixa de som, e realizamos o Cine Caixa-D’agua com exposição toda sexta. No momento está parado por conta das férias, mas em breve voltaremos. Fica então um estimulo para os cinéfilos promovam um evento interessante capaz de despertar interesse no cinema em Stm.