Do jornalista Paulo Silber, sobre o post (e um dos comentários) Helenilson secretário especial:
Mestre Jeso, você permite dois pitacos de um marapaniense da gema sobre assuntos sagrados da grande nau santarena? Então, espie:
1. O vice-governador Helenilson em cima do muro em relação ao Estado do Tapajós?! Que temperinho do diabo colocaram no acari dessa senhora? Eu, hein! Não lhe conheço a silhueta, minha cara, mas asseguro: você está redondamente enganada. Desde a campanha – se conjugarmos essa análise no curto tempo da dobradinha com Jatene -, a opinião do Helenilson é cristalina: francamente favorável à emancipação.
Se o tempo da análise for mais extenso, antes mesmo de conhecê-lo, eu já sabia disso, dada minha obrigação e meu prazer na leitura dos jornais. Marcada essa posição, pra que gaguejá-la o tempo todo? Em vez disso, que eu saiba, o vice-governador, pragmático como ele é, tratou de arregaçar as mangas no caminho da consolidação desse projeto, desse legítimo sonho do povo da região.
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Convenhamos, gente boa: levantar a bandeira do Estado do Tapajós com estridentes solos de gogó é mais fácil do que tirar cartão de crédito na Yamada. O Helenilson avocou uma missão silenciosa mas fundamental nesse processo: está empenhado na sedimentação de três pilares imprescindíveis para que o Estado e sua promissora capital não virem carne moída no antepasto do plebiscito.
Determinantes para que a caçula unidade federada desta Nação não perca o rumo nas brumas do caminho. É um defensor ferrenho da criação de uma Zona de Livre Comércio em Santarém. Imagine, querida, o Estado do Tapajós nascendo com esse confortável berço à sua espera! O Pará, como é hoje, é o único Estado da região Norte que não tem uma área industrial com regime tributário diferenciado, propulsor já testado e aprovado do desenvolvimento. O Tapajós, quando nascer, terá esse trunfo na sala de visitas: a capital. Mas não vamos patinar na maionese.
A criação de ALC tem um trâmite sinuoso e não é tarefa fácil. Passa pela floresta do Congresso, enfrenta lobbys maus e recebe o afago de suspeitas vovozinhas da oposição. Helenilson, que não tem vocação para Chapeuzinho Vermelho, tratou de estimular o Plano B: a imediata criação de uma Free Trade Zone em Santarém. Assim como as Áreas de Livre Comércio, essas Zonas têm um plano de diferimentos amarrado ao objeto de sua criação, que é a produção de bens destinados à exportação.
A ideia é ainda melhor por dois motivos: tatua na pele dos empreendedores o compromisso com o desenvolvimento sustentável, que está na raiz do projeto de criação do Estado do Tapajós , e além disso é de muito mais rápida solução. As Free Zones têm de ser criadas por decreto da Presidência da República e não por iniciativa dos congressistas. Um bom projeto, como é o da Zona de Processamento da Exportação em Santarém, receberá com facilidade o parecer favorável da instância intermediária entre o desejo mocorongo e a caneta de Dilma Rousseff, que é o Ministério da Fazenda. Quem sabe, ao ser criada, em vez de crescer na grande creche do Pará, ela não caia no colo de sua verdadeira família tapajônica para a feliz implantação?
2. Se Helenilson for mesmo escolhido para o leme da Secretaria Especial de Gestão, terá sido uma sábia decisão do governador. O vice é um caboclo muito, mas muuuito qualificado, como gosta de dizer o Anselmo Gama. Amarrá-lo ao cumprimento das prerrogativas de honra da Vice-Governadoria é como contratar o inesquecível Ayrton Sena do Brasil como piloto de autorama; convocar o Ganso para a final do jogo de botão; chamar Stephen Halking para explicar polinômio na 4ª. série; ou dar a Gisele Bündchen a dolorosa missão de perscrutar os sete mares vestida num “confortável” escafandro. “Ô louco!”, diriam os paulistas; “Ôxi!”, os baianos; “Égua, pai!”, a paraense Camila, minha linda filha; “Agora bem aí!…”, a galera de Itaituba; “Olha já!”, o meu amigo Celivaldo Carneiro.
Engajado nessa nova missão, se o furo do Jeso se comprovar (e tudo indica que sim), Helenilson terá a chance de dizer ao que veio. Não lhe falta bagagem para isso.
PS: Mal conheço o vice-governador, mas o admiro. Nos falamos por telefone algumas vezes, quando eu era editor-executivo d’O Liberal e ele articulista. Vimo-nos duas vezes: a primeira nessa mesma fase, há dois anos; a segunda no governo itinerante em Santarém, semana passada, quando o entrevistei depois de persegui-lo por dois meses. Não o assessoro como pessoa física (sou diretor de jornalismo da Secom) nem lhe dou consultoria de qualquer espécie. Portanto, antes que as más línguas babem, não fui contratado para defendê-lo, nem sou remunerado por ele. Se, ainda assim, a dúvida coçar alguns cocorutos, meu CPF é 174670122-68. Esse número dá acesso ao meu contracheque e á minha declaração de imposto de renda. Se alguém notar indícios de dinheiro escondido, por gentileza, denunciem-me à Receita Federal.
Então por que defendo o Helenilson?
Ué!?
Eu o admiro – e adoro escrever.
Simples assim.
Grato, mestre Jeso.