Do engenheiro Rubem Chagas, sobre o artigo Plantador de açaizeiro, de Helvecio Santos:
Caro Helvécio,
Quando você fez seu comentário sobre a matéria escrita pelo Raimundo Gonçalves, você já encheu demais a minha bola, mas desta vez você exagerou, e pude então sentir o gostinho bom de ser como que biografado em vida, e ter, você e eu, a aprovação dos leitores. Valeu, Helvecio!!, Valeu Rubão! Meu ego agradece, e parodiando o grande escritor, posso dizer “Confesso que vivi” e com minhas próprias palavras, agradecer: “Obrigado meu Deus”.
Entretanto, Helvecio, como você surpreende pela surpresa agradável, pela boa ação sempre inesperada, não foi possível eu chegar a tempo de socorrê-lo naquilo que os comentários postados, legitimamente, questionam. Talvez eu mesmo esteja precisando de um(a) fonoaudiólogo(a), ou dentista, por força da perda recente de um pivot, que me tem induzido a erro, por entender o fonema Elinaldo, mal pronunciado por mim, como sendo Everaldo, ambos com a mesma terminação silábica, o que de certa forma esplica e justifica o equívoco, pelo que me penitencio.
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No mais, a reparar, apenas pequenos detalhes que não alteram muito os fatos, mas na reforma do Estádio Elinaldo Barbosa, se você voltar ao assunto – o que acho que vale a pena, por representar o fim de um tempo em que as equipes locais, conhecendo o problema do atacar para a trave de cima, para o lado do pedregulho, e atacar para a trave de baixo, para o lado do areião, independentemente do posicionamento das torcidas, por razões obvias, preferiam atacar para baixo no segundo tempo para não ter de subir já, cansados, uma ladeira de 2.80 metros de altura (desnível) e 110 metros de comprimento, correndo com a bola.
Imagine ainda mais como ficavam os cotovelos e joelhos dos goleiros obrigados a tentar tirar com as pontas dos dedos as bolas rasteiras chutadas no cantinho da trave de cima. Em contrapartida, nossos goleiros, formados e a costumados naquela época nas peladas de praia, adoravam a trave do lado de baixo em que a areia macia permitia saltos fantásticos e belas defesas com quedas bem amortecidas. Alguns, até preferiam sair da linha em que vinha a bola chutada de longe, para no último instante, quando a bola fosse entrando no gol fazer a defesa numa ponte espetacular e ganhar os aplausos da torcida.
Por outro lado, na trave de baixo, a bola chutada rasteira, tal como na praia, sempre encontrava um montinho artilheiro…
Se você voltar ao assunto, peço não esquecer os créditos aos grandes colaboradores dessa importante empreitada, que entravam pela noite trabalhando para dar conta do serviço: Ismaelino Santos, Eurico Protético, Renato Sussuarana, Osmar Coelho, Luis (irmão da Ruth Santos, in memoriam), Nilo Arraia (in memoriam), Clementino Lima (in memoriam), Paixãozinho (in memoriam), Pìranha e Domingos, zelador do estádio, esses os mais assíduos no trabalho.
Depois deles, a bola passou a rolar no gramado que você conheceu e onde muitas vezes você jogou. O futebol de Santarém entrou na fase de intenso intercâmbio e nossos visitantes nunca mais reclamaram de nosso campo de jogo.
Deus o abençoe, você e sua esposa.