Réplica do médico Karlisson Eder da Cunha Lima (foto), residente em Santarém, aos leitores do blog na esteira do post de sua lavra “Isso é inconstitucional, imoral, ilegal”.
Estamos em um saudável debate, esclarecendo pontos, e expondo conceitos. Isso é democracia. Parabéns ao blog.
Apenas não concordamos com a entrada de pessoas não habilitadas nacionalmente ao exercício da medicina e que não possuem as mínimas condições de se comunicar com o “ribeirinho da Amazônia”, ou ao “flagelado nordestino”.
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Falar nisso, conheço lugares da região norte onde faltam Enfermeiros, Nutricionistas, Professores, Advogados. E nem por isso vejo o governo federal importar estrangeiros para estes recintos.
O que vejo é uma VIOLAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA o fato de contratarem pessoas não regularizadas para trabalharem em locais onde brasileiros ou estrangeiros devidamente legalizados poderiam atuar, mas que infelizmente não podem ir devido à falta de um Plano Nacional de Carreira para as profissionais da atenção básica.
O Ministério da Saúde poderia fazer o que o Governo Federal fez com os militares, que vão trabalhar nas fronteiras e lugares mais longínquos, e por conta disso recebem uma progressão salarial justa, com a garantia de não tomarem “calote” do prefeito, ou serem demitidos sem nenhuma razão plausível.
Médicos, Enfermeiros, Nutricionista, Fisioterapeutas e advogados, assim como todas as profissões que atuem na esfera federal, precisam ser fiscalizadas.
Os Conselhos de classe ( CRM, COREM, CRP, CREFITO, etc ) impõe normas e códigos éticos que fundamentam nossos trabalhos junto a população, permitindo que por exemplo, um médico esteja habilitado na prescrição de medicamentos, ou que um Enfermeiro esteja apto a realizar os cuidados de enfermagem, assim como do Fisioterapeuta para que este esteja capacitado na reabilitação funcional de muitas doenças.
Sendo assim, concluímos que é extremamente INJUSTO que as pessoas mais pobres sejam atendidas por profissionais não reconhecidos pelos Conselhos de Classe. Vejo inclusive a eminência de uma CALAMIDADE NA SAÚDE BRASILEIRA o fato destes médicos sem registros no CRM começarem a trabalhar no Brasil sem a devida comprovação de suas habilidades por parte de uma universidade publica brasileira e seus honrados professores.
É imprescindível que os postulantes se submetam a avaliações com médicos brasileiros, que iram determinar se eles estão aptos ou incapazes de fazerem diagnósticos e tratamentos das doenças epidemiológicas de âmbito nacional, como por exemplo: Esquistossomose, Malária, Chagas e Dengue, dentre outras.
Do contrário, teremos diagnósticos equivocados, erros terapêuticos e pessoas humildes sofrendo danos irreparáveis pela atuação de médicos que jamais poderão ser fiscalizados de forma ética e legal.
É importante também que os estrangeiros comprovem o domínio do nosso idioma e saibam interpretar os regionalismos lingüísticos amazônicos, pois caso contrário, os pacientes serão indevidamente “encaminhados” aos médicos especialistas, aumentando ainda mais a referências desnecessárias, assim como lotando as emergências hospitalares dos municípios, o que geraria sofrimento, angustia e desespero dos mais pobres que dependem exclusivamente do SUS e não podem pagar consulta particular ou plano de saúde.
Agora, se estes profissionais estrangeiros demonstrarem o domínio da língua portuguesa, se submeterem a exigência do CelpeBras, forem aprovados nos exames de revalidação de diplomas, e logo estiverem inscritos no Conselho Regional de Medicina, TODOS os médicos Brasileiros e Estrangeiros que fazem parte do CFM iremos dar as boas vindas a estes profissionais , pois assim eles talvez nos ajudariam a somar as forças necessárias para descentralizar o atendimento em saúde pro interior deste país.