De Brasília, o leitor Neco Ney comenta o post Cinema, Kant e decepção:
No tempo em que eu morava em Santarém o Cinerama dava seus últimos suspiros de vida.
Talvez com a mesma intensidade que o professor eu goste de apreciar um bom filme numa sala de cinema, mas ao que parece a atual geração de santarenos não aprecia muito, ou talvez o preço da entrada é que era exorbitante, tornando dificil o acesso a ele, e dificílima a situação do empresário.
Não sou daquela geração mais antiga, mas ainda pude assisitir a belos filmes no Cine Olímpia, lotado, nos fins de semana. E por algumas vezes tive que me conformar em ir ao Cine Acácia, na São Sebastião, porque os ingressos no Cine Olímpia estavam esgotados. Falo assim porque o Cine Olímpia era realmente o point dos fins de semana. E olha que em determinados domingos à tarde ele ainda sofria concorrência do Elinaldo Barbosa lotado em dia de Rai-Fran.
Não culpo somente a pirataria dos filmes pelo fracasso do cinema, por dois motivos: 1) bem antes do início dessa prática maléfica, o cinema em Santarém já estava em franca decadência, talvez por um outro motivo: a chegada da televisão; 2) Nas capitais em que morei (atualmente em Brasília), a pirataria, pelo que aprecio in-loco, não ameaça o sucesso do velho e bom cinema. As sessões, principalmente as dos fins de semana, as vezes, você tem de correr para comprar seu ingresso, porque senão dança.
Santarém realmente precisa de um bom cinema, mas muito mais para dar suporte ao desenvolvimento cultural do povo. Quem vem de fora para visitar nossa cidade, com certeza é por outros motivos. O verdadeiro cinema do santareno está nas belas paisagens que temos: Alter, Ponta das Pedras, Jutuba, Cururu, Rio Tapajós, Amazonas, a várzea, encontro das águas, boto, culinária regional… coisas que me empurram, muitas vezes, para dentro de uma sala de cinema por eu não tê-las como opção aqui.