De Evaldo Viana, sobre os posts e comentários ao artigo Cinema, que cinema?, de sua lavra:
Caro Solano,
Perdi a oportunidade de tecer comentários sobre o seu ponto de vista, o do Jota Ninos e de muitos outros que se manifestaram semana passada, sobre as razões de não termos cinema em nossa cidade e se é defensável ou não a manutenção pela prefeitura de um estabelecimento desta natureza.
Em resumo, o que depreendi do seu comentário, você defende que apenas o particular poderia empresariar o ramo de exibição de filmes e não avaliza que a prefeitura chame para si, na ausência de particulares interessados, a responsabilidade de administrar o cinema.
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A questão é que o particular não vê em Santarém um mercado atraente e com potencial para gerar lucro nesse ramo e, por essa razão, não se sente estimulado a empregar o seu capital na abertura e manutenção de cinemas.
Para a exibição de filmes de grande bilheteria o ingresso teria que acompanhar o preço dos cinemas dos grande centros (em torno de R$ 20,00). Em Santarém só uma pequena parcela da população poderia, com frequencia, desembolsar e pagar esse preço.
Nesse caso, como ficaríamos? Se não há particular para empresariar o Cinema, então não há solução para o problema? E se algum empresário, a despeito das dificuldade que teria em não obter lucro, resolvesse abrir salas de cinema em Santarém, cobrando o preço de mercado, é razoável aceitar que expressiva , ou melhor, a quase totalidade da população não tenha acesso ao cinema? Conforme-se em ser um sem-cinema?
E quanto ao poder público municipal, o que o impediria de investir uma parcela mínima dos recursos destinados à Cultura na manutenção de salas de Cinema? Como justificar que um município como Altamira, que destina apenas R$ 510 mil à função Cultura, consegue manter uma confortável sala de cinema, com preço de ingresso acessível à população, e Santarém, com dotação orçamentária para a Cultura de R$ 2,56 milhões (despesas realizadas) alegar que não poderia destinar, desses recursos, R$ 150 ou 200 mil por ano para a mesma finalidade?
A promoção de um show musical de um Reboletion do sul do país é cultura? Justifica pagar para uma única exibição R$ 150 mil? Então, com muito mais razão, não seria justificável a prefeitura pagar o mesmo valor para a manutenção por um ano de uma sala de cinema? O cinema é menos cultura que um show reboletion?
O que sugiro Solano, é que a prefeitura mantenha um Cinema com ingressos subsiados, com valor compatível com a renda a esmagadora maioria do povo santareno.
Quanto ao declínio do público da sétima arte, creio não encontrar respaldo nas bilheterias ostentadas pelos últimos grandes sucessos, que têm batido sucessivos recordes de público. Titanic, Avatar, Homem de ferro, Homem Aranha e muitos atrairam público mundial superior a 200 milhões de espectadores? Isso demonstra desinteresse pelo Cinema?
Creio que o propósito de todos que interagem neste blog é proporcionar uma melhor qualidade de vida ao povo santareno. Se uma sala de cinema vai ao encontro deste anseio, então trabalhemos para viabiliza-la. Não tem um empresário interessado porque não dá lucro? Então cobremos do poder público municipal iniciativa nesse sentido.
Um abraço