Jeso Carneiro

Terruá: uma pseudo polêmica

Produtor cultural santareno residente no Rio de Janeiro, Paulo Cidmil faz contraponto ao artigo Terruá e o cachê do Tapajós, da lavra de Nelson Vinencci:

Prezado Jeso,

Sou um ativista do SIM, a favor da criação do Estado do Tapajós, e concordo plenamente com opiniões de alguns de seus leitores, como a de Márcia Carvalho, no post Terruá e o Cachê do Tapajós. Seu articulista, no afã de sustentar uma pseudo polêmica, chega a expor Sebastião Tapajós às raias do ridículo ao publicar valores de um contrato, inclusive com dados pessoais, que só interessam ao artista e ao contratante.

Não sei qual a idéia do articulista, mas é clara a utilização e exposição de Sebastião Tapajós e é isso que estou questionando. Para Nelson atingir os seus objetivos, que a meu ver é o de criticar um projeto cultural que ele não gosta, e que para ele, esta sendo utilizado politicamente a favor do NÃO no plebiscito, não precisaria usar a figura de Sebastião Tapajós da forma como usou.

Sebastião Tapajós é um artista que só contribui para o engrandecimento de nossa cultura e visibilidade de nossa região. O projeto Terruá poderia ser dissecado em seu conteúdo, custos, representatividade e abrangência, mas seu articulista preferiu o caminho mais fácil, usou como gancho, o nome e o contrato de Sebastião Tapajós, garantia de polêmica junto a seus leitores. Parece que para ele, os fins justificam os meios.

Sebastião construiu uma obra que é patrimônio cultural amazônico (não apenas do Pará ou Santarém), pessoa de extrema simplicidade e integridade a toda prova. A ânsia de holofotes que tem seu articulista me leva a pensar que ele seria capaz de qualquer atitude insana para ser noticia, como o fez agora com a sua conivência.

Com toda certeza esses não são valores cobrados normalmente pelo artista, afirmo isso, na condição de agente de muitos dos shows que Sebastião Tapajós realiza pelo País. Ele aceitou um valor inferior por se considerar inserido na cultura paraense e achar importante divulgá-la. Com toda certeza o valor divulgado por seu articulista, refere-se a cachê simbólico, sendo 1.500, por show. Os 929,00 restantes são relativos a encargos fiscais. O Secretário pode ter se confundido, até porque não é o Secretário que efetiva essas contratações.

Não sei como seu articulista reagiria ao ver os valores que recebe como artista sendo exposto em público como ele fez agora com Sebastião Tapajós, usando Sebastião como bode expiatório para sua história, com o objetivo de fomentar uma discussão ridícula que só alimenta ódio e desinformação.

Como já afirmei em outros comentários no meio dessa discussão provocada pelo seu articulista, é justo que se cobre contas do dinheiro público, é justo não gostar do Terruá, mas considero um ato de covardia usar Sebastião Tapajós da forma como o seu articulista usou, inclusive insinuando que o mesmo é contra o Estado do Tapajós, enganando aos tolos e desavisados.

Sei que meu espaço anda minguando em seu blog, compreendo isso faz parte da política. Tenho respeito por você e pelo Blog que nos proporciona. Gostaria de ver publicado essa carta como forma de repúdio a esse tipo de atitude, contra uma pessoa que nem sabe o que esta ocorrendo com o nome dele nos post de seu blog, e que, em nenhum momento foi consultado, para pelo menos dizer o que pensa sobre o Terruá e o porque de sua participação.

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