
por Sidney Canto (*)
Hoje em dia, continuo sempre a me empolgar com as conversas que mantenho com o Cristovam Sena sobre cada nova descoberta sua, cada aquisição (que geralmente ele encontra em lojas de livros usados) que advém de suas viagens pelas capitais do Brasil, ampliando o seu acervo, quase que exclusivamente devotado à Amazônia e a Santarém.
Não seria absurdo afirmar que sua biblioteca possui o melhor acervo local para pesquisa sobre a história da nossa região. São livros, jornais, vídeos, fotografias, mapas e diversos outros documentos. Eu sempre o consulto com frequência, principalmente os jornais. Por conta disso, tenho consciência da importância que tem o trabalho do ICBS (leia-se Cristovam e Ana Rute, sua esposa) para a memória da história de Santarém e da região.
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A luta pela preservação da nossa história é feita por pessoas que muitas vezes não dispõem de muitos recursos, mas de uma imensa boa vontade. Isso o Cristovam apresenta de sobra, além do carinho e da persistência de quem transformou o que faz em um hobby edificante. Contudo, não basta apenas adquirir um bom acervo (coisa que o Cristovam faz com louvável estima), mas também preservá-lo.
Fato preocupante já é a condição de alguns jornais de sua hemeroteca. O manuseio que os mesmos tem tido a vários anos, aliado às condições de umidade e armazenamento desse acervo, tem levado à deterioração de parte deste dele – ão importante para a nossa história.
Infelizmente, o poder público (não somente a prefeitura, os vereadores, mas até mesmo o governo estadual, a Assembleia Legislativa e o Ministério Público) não tem aplicado nenhum esforço na preservação deste acervo, que apesar de ser privado de uma instituição como o ICBS, que faz parte da memória e da cultura de nosso povo.
Afinal de contas, o patrimônio público, artístico, cultural e histórico deveria, mesmo que em posse de algum particular, ser mantido e preservado por toda a coletividade. Um acervo como o do ICBS não pode ser perdido, em época em que tudo pode ser digitalizado e colocado à disposição do publico interessado e dos pesquisadores.
Sei que o Cristovam faz o possível, mas lhe falta mais apoio para que seu trabalho continue. Digitalizar o acervo, cuidar para que ele não se perca, ajudá-lo com a manutenção seria o mínimo que o poder público poderia fazer. Oxalá este apoio apareça, antes que mais uma vez fiquemos nas lamentações de que Santarém é uma “cidade do já teve”…
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* É presbítero da Diocese de Santarém, membro da Academia de Letras e Artes de Santarém – ALAS e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós – IHGTap.