Dois comentários a propósito do post Irmãs franciscanas chegam a Santarém:
Do leitor que se assina Antônio Jequitibá:
Tudo que foi plantado pelas Irmãs Marta e Gema no Sagrada Família foi destruído pelos camilianos que assumiram aquele hospital. Normas técnicas para que o hospital funcione sem provocar riscos de saúde aos seus usuários foram exigidas pela Anvisa, Ministério Público, CRM, continua tudo pratcamente na mesma. Deduzo, pois dia 17 de DEZ, pasmem, registraram BO denunciando as péssimas condições de trabalho do centro cirúrgico daquele hospital, levando a risco de morte pacientes lá atendidos. O Boletim de Ocorrência foi registrado por médicos que trabalham naquele centro cirúrgico.
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
Do médico Telmo Moreira Alves:
O Antonio Jequitibá tem toda razão. Eu trabalho no Sagrada Família há 33 anos, vivenciei o tempo das Irmãs e estou vivenciando o desastre que se encontra hoje. Não sou saudosista, pelo contrário, adoro o presente momento, mas no que se refere a administração dos camilianos não posso elogiar. Uma entidade que detém o título e recebe benefícios pelo fato de ser filantrópica deveria fazer por lei 5% dos seus atendimentos sem cobrar de ninguém, nem mesmo do SUS. Nunca atendi nenhum paciente que fosse dessa categoria. No tempo das Irmãs era freqüente e chamava-se Particular Caridade.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Os administradores do Sagrada estão se negando a pagar o que se chama SOBREAVISO aos médicos (que é aquele plantão que o médico embora não fique dentro do hospital, fica à disposição do mesmo em tempo integral e pode ser chamado a qualquer momento). Isto é regulamentado pela RESOLUÇÃO CRM-PR Nº 152-2007.
Também não conseguem se adequar as normas de segurança no que concerne ao centro cirúrgico, onde um desfibrilador, que não funciona, encontra-se jogado num canto de uma sala no chão. A sala de recuperação pós-anestésica não tem monitor multiparâmetros e não querem disponibilizar um técnico de enfermagem exclusivo para aquela sala, colocando em risco a vida dos pacientes e a reputação e a própria carreira, principalmente dos médicos anestesiologistas, isto já foi comunicado ao CRM e até feito BO na Delegacia de Polícia.
Como os anestesiologistas em função desses desacordos suspenderam as anestesias para as cirurgias eletivas, mantendo porém, aquelas para urgências e emergências (temos comprovação documental disso), o administrador com o seu setor jurídico de caráter semelhante entraram com uma ação cautelar num fim de semana, com uma juíza de plantão (tudo estudado) e conseguiram uma liminar que nos obrigou a fazer anestesias de urgências e emergências e também eletivas, por um período de 30 dias a contar do dia 13-11-2011.
Cumprimos integralmente a ordem judicial e nesse período não fomos chamados em nenhum momento para tentativa de reconciliação. Cessado o efeito da liminar, encaminhamos correspondência à administração do São Camilo, com cópia para o CRM, MPE, Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Santarém e COOPANEST-PA, no qual informávamos que a partir do dia 14-12-2011, só faríamos anestesias para urgências e emergências naquele hospital, fomos surpreendidos quando aparece outra liminar expedida por outro juiz que provavelmente nem sabia da anterior e na véspera do recesso do Judiciário.
Jeso, veja com que tipo de gente estamos trabalhando e convivendo, pessoas que não tem o menor vínculo, compromisso ou responsabilidade com o povo de Santarém, que hoje está aqui amanhã pode está em qualquer outro Hospital São Camilo do Brasil, se juntando com advogados que embora sejam da terra, priorizam os honorários profissionais mandando às favas a ética ou a história de quem há 33 anos trabalha naquele hospital e nunca teve hora ou dia para desempenhar as suas funções e que esse tempo todo só plantou amigos e fez amizades.
Sinceramente não sei onde vamos chegar.