por Emanuel Júlio Leite (*)
Mas é bom que se diga que Santarém precisa ter uma atividade turística fortalecida. Exatamente para justificar a sua maior vocação. Afinal, já vem de muito tempo as referências elogiosas dos meios de comunicação a respeito de suas praias, sua várzea, suas comunidades tradicionais de beira de rio, seu artesanato, sua culinária etc.
O povo santareno já não se empolga mais quando vê as imagens do município sendo usadas em campanha de candidatos que alardeiam que o turismo é prioridade para o desenvolvimento paraense. Logo Alter do Chão é mostrada de todos os ângulos, justamente para ‘enfeitar’ as proposições.
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Neste momento, Santarém quer mais. Santarém precisa de mais. Santarém, que se transformou em representativo centro universitário, entende que ações concretas necessitam ser viabilizadas, para que a cidade faça jus à condição de centro de convergência de demandas em todas as áreas.
Mas aqui quero me limitar a falar de turismo.
Quero colocar para os candidatos Simão Jatene e Ana Júlia que Santarém, hoje, é um dos 65 Municípios Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional, um programa comandado pelo Ministério do Turismo. Esse programa contempla ações concretas que visam dar visibilidade ao destino, assim como facilitam a comercialização dos produtos e serviços já formatados por empresas locais.
Outro programa bastante eficiente é o Santarém, Município Referência em Ecoturismo, que é comandado pelo Ministério do Turismo, com o apoio da Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) e do Serviço de Apoio à Pequena e Micro-Empresa (Sebrae).
Sobre este programa reside toda a esperança de Santarém mudar o rumo de sua história. O ecoturismo versa sobre o apelo aos recursos naturais dos destinos, a cadeia produtiva toda ela apoiada em pequenos empreendedores e artistas locais, destaca a cultura regional, agrega valor às comunidades tradicionais, além de trabalhar a sustentabilidade (social, ambiental e econômica).
E o que é melhor: foi o governo federal, através de pesquisa, que entendeu Santarém como um destino que pode ser trabalhado para esse fim. Foram eles que apontaram o dedo em nossa direção. E, melhor ainda, as ações estão sendo desenvolvidas através de cursos profissionalizantes de forma presencial ou à distância. Cursos como: Gestão Empresarial em Ecoturismo, Aprimoramento de Produto e Acesso a Mercado, Elaboração de Projeto e Captação de Recursos, Competência Mínima de Condutor, etc.
E o que Santarém quer do novo governo? Apoio. Parceria. O trade turístico precisa estar lado a lado com as ações do governo estadual. O governo estadual estar presente nas ações ligadas à Santarém. E para isso a Paratur precisa atuar fortemente para buscar resultados que sejam mensurados. O turismo precisa ser visto a partir de uma ótica que tenha começo, meio e fim. Em outras palavras, planejamento.
Falo aqui por Santarém.
Temos a chance de ficar bem na foto. Se o governo do Estado quiser. Já imaginaram essa região ser trabalhada com todo o aparato governamental para ter o ecoturismo desenvolvido? E não é preciso tanto dinheiro assim. Muitos órgãos já iniciaram o processo. Basta, no entanto, que uma equipe seja montada para estruturar as ações específicas.
Os nossos candidatos precisam entender que trabalhar o ecoturismo é fazer o dever de casa em uma região que tem toda a vocação para o setor. Temos lugares incríveis, um povo acolhedor e vontade de crescer. O ecoturismo vai gerar renda em comunidades que vivem à míngua, vai capacitar cidadãos que se encontram sem oportunidades, promoverá empresas voltadas ao receptivo, surgirão novos hotéis e pousadas, formará novos condutores e guias. E o que é importante, vai segurar mais os formandos em turismo, que ao concluírem o curso compram logo uma passagem de barco para Manaus em busca de oportunidades.
Apoiar o ecoturismo em uma região que tem tudo para crescer no segmento é escrever o nome de forma positiva na história. É uma estratégia politicamente correta. Principalmente, por estarmos na Amazônia. Numa região que contempla uma diversidade enorme de atrativos naturais.
Por outro lado, esconde um pouco a fama de o Estado do Pará ser conhecido pela violência no campo, pela pistolagem em algumas regiões, pelo desmatamento, pelas invasões de terra, etc.
Santarém reconhece que a transformação passa pela política. Pela política séria, onde exista comprometimento com causas específicas.
A hora é agora.
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* É santareno, administrador de empresas, dono da produtora Conexão Oeste, com forte inserção no setor de turismo do oeste do Pará.