Jeso Carneiro

Deputado teve quase 30 mil votos nos 10 municípios onde quadrilha do PL atuou no Pará

Deputado teve quase 30 mil votos nos 10 municípios onde quadrilha do PL atuou no Pará
Cristiano Vale, então prefeito de Viseu

Quase 30 mil dos votos do deputado federal Cristiano Vale (PL) em 2018 foram obtidos nos 10 municípios onde, segundo o MPF (Ministério Público do Pará), a quadrilha da qual ele fazia parte desviou 39,6 milhões de reais em um esquema criminoso de fraude a licitações entre 2013 e 2017.

Irmão do vice-governador Lúcio Vale (PL), também acusado de participação no crime, Cristiano foi o 2º mais votado para o cargo no Pará naquela eleição — 176.812 votos, ficando atrás só de Edmilson Rodrigues (PSOL), que somou 184.042 votos.

 

De acordo com levantamento do Blog do Jeso junto à Justiça Eleitoral, em 2 dois 10 municípios paraenses de atuação da “organização criminosa”, Cristiano foi o mais votado:

— Viseu, de cujos cofres a quadrilha teria desviado 31,8 milhões de reais, e onde o parlamentar exerceu o cargo de prefeito; e

— Cachoeira do Piriá, com desvio de quase R$ 1,6 milhão.

No primeiro município, o parlamentar do PL obteve 56% dos votos válidos para deputado federal (16.284 votos), enquanto que no segundo, seu percentual foi de 45% (4.244 votos).



Merenda escolar

Nos 10 municípios, Cristiano somou 28.233 votos, o equivalente a quase 16% do total de sua votação.

A maior parte dos recursos subtraídos dos cofres públicos, segundo o MPF, deveria ter sido destinada à compra de merenda escolar. Também foram identificados desvios de recursos da Saúde e da Assistência Social.

A maioria das 32 pessoas foram denunciadas por participação em organização criminosa, crime punível com até 8 anos de prisão e multa.

Assim como também enquadradas em corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e peculato, cujas penas, somadas, chegam a 39 anos de prisão, e multa.

 

Votação nos 10 municípios


Contraponto

O Blog do Jeso tentou contato com a assessoria do deputado Cristiano Vale, mas não conseguiu até a publicação desta reportagem. O espaço, porém, continua aberto à manifestação do parlamentar.

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