Jeso Carneiro

Entenda por que a polícia pediu a prisão do advogado suspeito de feminicídio; delegado descarta suicídio

Entenda por que a polícia pediu a prisão de Wlandre Leal, suspeito de feminicídio; delegado descarta suicídio
Delegado Kleidson de Castro, à frente do caso que resultou na morte de Thainá Cardoso. Foto: arquivo JC

Conforme noticiado hoje (20) pelo JC, o advogado Wlandre Gomes Leal foi preso em flagrante na noite de ontem (19), em um condomínio no bairro Aparecida, em Santarém (PA), pela suspeita do feminicídio de sua companheira, Thainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos.

O advogado acionou o socorro alegando que a vítima teria tirado a própria vida após uma luta corporal do casal, versão que foi imediatamente rejeitada pela polícia após a análise preliminar da cena do crime.

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À frente das investigações, o delegado José Kleidson de Castro representou formalmente à Justiça pela decretação da prisão (neste caso, a prisão temporária por 30 dias) do advogado.

O JC apurou que a prisão preventiva de Wlandre Gomes Leal foi solicitada por ser considerada imprescindível para garantir o andamento das investigações policiais e a realização de perícias complementares.

O delegado explicou à Justiça que a medida impede que o investigado em liberdade venha a influenciar testemunhas ou ocultar elementos probatórios indispensáveis para a elucidação dos fatos.

Feminicídio e a tese de suicídio

O pedido de prisão e o indiciamento formal por homicídio qualificado (feminicídio) baseiam-se em uma série de incompatibilidades físicas e materiais que desconstruíram a versão defensiva apresentada por Wlandre Leal.

O delegado Kleidson de Castro, ainda conforme apuração do JC, elencou pontos cruciais que embasaram a atuação da polícia:

Além dos vestígios materiais, o depoimento da irmã da vítima fortaleceu as suspeitas de feminicídio.

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A familiar revelou um histórico de relacionamento conturbado, marcado por ciúme excessivo e comportamento obsessivo por parte do advogado. Ela também apresentou à polícia mensagens eletrônicas enviadas por Thainá na tarde do crime, nas quais a vítima afirmava que “não iria a lugar nenhum com esse demônio”.

A irmã enfatizou, ainda, que Thainá possuía plena higidez mental e nenhum histórico de ideias suicidas.

O JC apurou ainda que, diante da convergência de indícios de autoria e da materialidade delitiva, a Polícia Civil solicitou também a quebra de sigilo telefônico dos celulares de Wlandre e Thainá apreendidos no local, visando reconstruir a cronologia dos fatos e apurar eventuais ameaças ou premeditação.

A legalidade e a manutenção da prisão do advogado estão sendo analisadas pela Justiça na audiência de custódia marcada para hoje de manhã.

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