A região oeste do Pará, com sua inegável importância econômica e demográfica, sempre desempenhou papel estratégico na política estadual. Ao longo da história recente, Santarém e seus arredores têm se consolidado como uma espécie de celeiro de vices na disputa pelo Palácio dos Despachos.
Agora, nas eleições de 2026, a história pode se repetir, trazendo um novo nome para pleitear a vaga na chapa encabeçada pela governadora Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição.
Para compreender o peso político do oeste paraense, basta olhar para o retrovisor. Santarém já emplacou importantes figuras na cadeira de vice-governador em eleições recentes.
Entre 2007 e 2011, Odair Santos Corrêa (PDT) ocupou o cargo atuando ao lado da então governadora Ana Júlia Carepa. Logo na sequência, no período de 2011 a 2014, foi a vez de Helenilson Cunha Pontes (PSD) assumir a vice-governadoria durante o segundo mandato de Simão Jatene (PSDB).
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A força regional também se fez presente no pleito de 2014, quando o ex-prefeito de Santarém Lira Maia disputou o cargo de vice na chapa encabeçada por Helder Barbalho (MDB), ocasião em que acabaram derrotados nas urnas pela chapa de Simão Jatene (PSDB) e Zequinha Marinho (PSC).
A vez de Josué Paiva?
Neste ano eleitoral de 2026, as atenções se voltam para a composição da chapa da governadora Hana Ghassan (MDB). A disputa pela vaga de vice segue em plena ebulição nos bastidores, e o oeste do Pará volta a apresentar um nome forte: o deputado estadual e pastor Josué Paiva, do Avante.
Nascido em Monte Alegre e atualmente com domicílio eleitoral fincado em Santarém, Josué Vieira de Abreu (seu nome de registro) traz na bagagem mais de vinte anos de vida pública. Empresário e bacharel em teologia, ele já foi vereador, secretário municipal e se elegeu deputado estadual com expressivos 36.874 votos em 2022.
A pré-candidatura ganhou contornos formais quando o diretório estadual do Avante oficializou seu nome para a vaga de vice-governador na chapa de Hana Ghassan.
A indicação do parlamentar é extremamente estratégica, uma vez que Josué Paiva é o único deputado, entre os quatro cotados pela base do governo, que possui atuação política voltada para a região oeste do estado. Ele disputa o espaço com Dirceu ten Caten (PT), Samuel Câmara (Republicanos) e Andreia Siqueira (PSB).
O principal trunfo do deputado, porém, vai além de seu berço geográfico. Josué possui uma base consolidada no segmento evangélico e apoio da forte Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Pará (Comiadepa).
Essa base tem se mostrado uma alavanca poderosa diante do cenário de tensão na base governista.
Setores influentes, como o agronegócio e a ala evangélica, já emitiram um duro recado à cúpula do MDB: se a governadora ceder a vaga de vice ao PT, esses blocos prometem retirar o apoio à sua reeleição. Esse veto direto ao nome petista alavanca as chances de Josué Paiva, que surge como uma alternativa capaz de dialogar com os setores produtivos, além de unificar bandeiras como a defesa da família e valores religiosos.
A definição oficial desta complexa engenharia política está guardada a sete chaves e caberá ao comando emedebista equilibrar os interesses nacionais com as fortes pressões regionais e religiosas.
A palavra final deverá ser anunciada durante a convenção do MDB, marcada para o dia 1º de agosto, em Belém, decidindo se o oeste do Pará manterá, de fato, a sua robusta tradição na composição das chapas majoritárias do estado.
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