Jeso Carneiro

Crime de tortura: 5 da mesma família são denunciados pelo Ministério Público

A denúncia foi ajuizada hoje de manhã, pela promotora Dully Otakara. Leia a íntegra da denúncia

MP denuncia 5 da mesma família por tortura de professora em Santarém, Dully Otakara e Maria Geuciane Lopes NobreDully Otakara, promotora, e Geuciane Nobre, professora e vítima de tortura, segundo o MP

 
O MP (Ministério Público) do Pará em Santarém ofereceu denúncia contra os 5 envolvidos no caso da professora Maria Geuciane Lopes Nobre, ocorrido em janeiro deste ano. A vítima foi torturada e teve os cabelos cortados pelos denunciados, que pertencem à mesma família.

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Os crimes praticados estão previstos na Lei 9.455/1997 (Lei da Tortura) e no Código Penal Brasileiro.

Quanto ao pedido de prisão preventiva, o MP manifestou-se desfavoravelmente, por entender que na atualidade não há o risco à ordem pública e/ou conveniência da instrução processual, sem prejuízo de posterior requerimento, caso se demostre necessário.

A denúncia foi protocolada na manhã de hoje, 29, na 1ª Vara Criminal de Santarém. Neste link, a íntegra da denúncia.

A promotora de justiça Dully Sanae Araujo Otakara denunciou Samai Serique dos Santos Silveira e Sarom Serique Ferreira pelas práticas dos crimes de tortura.

MENSAGEM

Julio Cesar Serique Navarro e Marilza Serique dos Santos foram denunciados também pelo crime de tortura e Juscelino Ferreira, por se omitir em face dessas condutas.

De acordo com o inquérito policial, no dia 24 de janeiro de 2017 a vítima estava em seu local de trabalho quando recebeu uma mensagem de Juscelino Ferreira, que pediu que lhe levasse um medicamento para asma.

Por volta das 18h15, a professora deixou a escola onde leciona juntamente com seu filho, e seguiram para a casa de Juscelino, para levar o medicamento.

EXTORSÃO

Ao chegarem foram recebidos pela denunciada Saron Serique, que orientou a vítima a ir até o quarto, enquanto o filho permanecia na área externa.

No quarto entraram também Samai Serique, Marilza Serique e Sarom Serique. A vítima foi cercada pelas três denunciadas, enquanto Juscelino ficou de lado, observando.

Ao ser indagada sobre uma suposta extorsão ao pai das denunciadas, passou a ser agredida fisicamente e teve parte do cabelo cortado com uma tesoura, também usada para desferir furadas na vítima.

CHIPS DO CELULAR

“Frisa-se que essas sessões de agressões duraram cerca de 20 minutos”, diz a denúncia. Julio Cesar chegou depois e passou a participar das agressões.

A vítima foi levada ao carro e no trajeto teve o cordão de ouro que usava arrancado do pescoço.

As agressões continuaram até a chegada à comunidade de Pajuçara, onde foi deixada e socorrida. O celular da professora também foi tomado, e os chips retirados.

A denúncia relata que, dentre os denunciados, Juscelino Ferreira é o único a não ser citado como agressor, no entanto, atuou como partícipe, além de ter servido como “atrativo” para casa em que ocorreu maior parte do crime.

PRIMARIEDADE

“A autoria e a materialidade estão cristalinas nas declarações da vítima e das testemunhas prestadas perante a autoridade policial por meio de boletim de ocorrência bem como, pelo laudo de exames de corpo de delito de verificação de lesão corporal, roubo e tortura consoante dos autos”, diz a denúncia.

Por isso, o MP apresentou a denúncia com pedido de condenação dos indiciados.

Quanto ao pedido de prisão preventiva feito pela autoridade policial, a promotoria manifestou-se desfavoravelmente, por entender que não há o risco à ordem pública ou conveniência da instrução processual, sem prejuízo de posterior requerimento, caso se demostre necessário, em especial em razão dos indiciados possuírem residência fixa, primariedade, trabalho, ensino superior e estarem comparecendo aos atos do inquérito quando intimados.

Com informações do MP do Pará/Polo do Baixo Amazonas

 

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