por Tiberio Alloggio (*)
O PT, junto aos partidos da esquerda e mais o PMDB, deverá liquidar a fatura ainda no primeiro turno.
Já no nível estadual, a realidade é outra. Pois, é nos estados que prosperam todas as espécies de microrganismos políticos, que formam micro-universos com lógicas políticas próprias e peculiares.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Nessas eleições, a tônica geral da disputa aos cargos estaduais e federais é que ninguém está se preocupando muito com a eleição presidencial. Toda a campanha eleitoral roda entorno do “vote em mim” e, para os demais cargos, em “quem quiser”.
É o efeito da popularidade do presidente Lula.
No Pará não é diferente, mas para tentar prognosticar o desfecho da eleição estadual é preciso considerar os outros fatores políticos que deram vida ao cenário da atual disputa.
O primeiro é que a governadora do PT, candidata à releição, não teve a competência de “atrair” o PMDB (principal aliado de governo) em sua coligação. O segundo é a decisão do PMDB de Jader de sair sozinho, reservando para ele a candidatura ao Senado.
O terceiro é o esfacelamento da oposição demo-tucana, ocorrido ainda antes de apresentar seu time em campo. O DEM implodiu de vez após a renúncia dos seus principais dirigentes estaduais. Enquanto isso, o PSDB rachou no meio, tendo como maior desfalque o seu líder histórico Almir Gabriel, hoje arrolado na tropa do PMDB.
Além disso, um outro fator importante a ser considerado, é a aprovação da Lei da ficha limpa.
A desistência do PMDB em compor com o PT, deve-se ao clima de desconfiança (recíproca) que se criou ao longo do governo Ana Júlia. Aqui duas questões foram fundamentais:
1ª) A incapacidade da governadora de constituir (na Casa Civil) uma política real de agregação politico-programática que consolidasse seu governo.
2ª) A incapacidade do PMDB de propor rumos programáticos, ficando apenas na reivindicação de cargos e orçamentos.
Com uma Casa Civil dirigida por um “meia tigela”, incapaz de agregar mais de duas pessoas na mesma mesa, o governo de Ana Júlia acabou por sofrer todo tipo de dificuldade, seja no Executivo como no Legislativo, conseguindo desagradar gregos e troianos.
Deu no que deu: um governo aquém das expectativas, cujo trunfo político maior resumiu-se à grande quantidade de partidos nanicos agregados. Muito número e pouco peso.
Nessa situação de rusgas com Ana Júlia, o PMDB de Jader fez o que achou melhor para conseguir o objetivo de sempre, ou seja, uma forte bancada regional. Lançou seu partido só para dividir votos, na expectativa de se tornar o ponteiro da balança num eventual segundo turno. Para tanto, veio com uma candidatura de “meia tigela”, sem chance alguma.
Um cálculo extremamente arriscado, pois se não der certo poderá significar torrar o que sobrou do seu capital politico-eleitoral. Além do mais, por causa do Ficha Limpa, terá que disputar (junto ao petista Paulo Rocha) não uma, mas duas eleições. Uma nas urnas e a outra no Supremo. O que poderá significar uma aposentadoria compulsória.
Mas se o cenário para a situação não é tão brilhante assim, o da oposição é bem pior.
A própria escolha de Jatene para governador teve o efeito de abalar (enfraquecendo) a sua própria coligação. Considerado um político pouco competitivo e fraco de votos, Jatene, quando governador, realizou o pior dos governos da dinastia tucana no Pará. Uma presa fácil para a situação num cenário tão difícil para a oposição
São essas algumas das peculiaridades que nos chamam atenção nas eleições no Pará.
Apesar de estarmos vivendo uma campanha quase imperceptível nas ruas, toda jogada nos bastidores e no horário politico gratuito, há muita coisa em jogo nessa eleição estadual, e para alguns trata-se mesmo da própria sobrevivência no espectro politico regional.
Nesse sentido é interessante observar a atuação da mídia paraense que, monopolizada por dois grupos, Barbalho (PMDB) e Maiorana (PSDB), torcem juntos para que ocorra ao menos um segundo turno.
Apesar de uma conjuntura partidariamente conturbada, onde cada um luta por si, quem está em melhores condições é ainda a situação. Principalmente pelo fato de confrontar com o governo pífio de Simão Jatene que a antecedeu.
Além do mais, nos últimos quinze dias de campanha, que é quando o eleitor define uma vez por toda o seu voto, a provável chegada do “furação Dilma” deverá fazer a diferença.
——————————————————————–
* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.