por Tiberio Alloggio (*)
– E essa tal de “Terceira Via” que muitos falam por aí, alguém acha ela real?
Desta vez, quem não resistiu a minha provocação foi um conhecido artista da terra, que logo soltou o verbo: “Terceira via? Só conversa para boi dormir”, disse sarcástico. “O santo evangelho dos nanicos em busca de um lugar ao sol”.
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– Putz… Você sempre exagerando na dose! – repliquei. “Vai querer negar o descontentamento com a “polarização” que domina o cenário politico santareno?”
“Isso mesmo”, retrucou o artista. “Ser ‘descontentes’ é uma coisa… ser uma ‘alternativa’ é outra. Essa coisa dos nanicos (de direita ou esquerda) querer se passar de terceira via… só se for nas novelas da Globo, meu caro”.
“Então…”, tentei falar…
“Então o que, Tiba? Terceira via nunca existiu. O que existe são nanicos querendo tomar o lugar (dos outros) para eles polarizarem”.
– Mas e o Paju, o PV, o Helenilson, o PMDB, o PSOL – tentei argumentar.
“Caia na real, Tiba!!” me brecou o artista. “Para de viajar na maionese. Tu sabes melhor que eu que o Paju não passa de uma associação de consultoria do Alexandre Von. E que seus aderentes, quatro, talvez cinco gatos pingados, são uns ilustres desconhecidos da elite empresarial santarena. Como poderiam formar uma terceira via?”
– Mas estão no PV, um possível… – tentei retrucar, mas fui interrompido outra vez.
“… um possível aliado do PSDB e do DEM”, disse-me o artista. “Achas mesmo que Valdir Matias vai se arriscar a perder a vaga de vereador para se lançar candidato a prefeito? Ou que o doutor Erick queira mesmo confrontar com seu compadre Alexandre Von? O PV é mais uma sigla a ser agregada nas coligações partidárias. A própria Marina Silva sacou isso e já está caindo fora. Ou vai me dizer que o Dudu Dourado é um militante ambientalista?”
– Mas o PMDB, então, é um grande partido….”, tentei aprofundar.
“Para! Parado aí, Tiba!”, gritou o meu interlocutor. “De qual PMDB estás falando? Não existe PMDB em Santarém. O que existe é um grupo familiar que toma conta do partido. E para eles só existe uma via: os cargos de governo, seja ele qual for. Não querem saber desse negocio de ruas, avenidas, tampouco ouvir falar de terceiras vias. Por isso que em todas as eleições vão ao leilão e quem ganhar os levam junto?”
Ao perceber que o artista estava extrapolando os limites, tentei driblar a encrenca peemedebista tocando no nome de Helenilson Pontes.
“O Helenilson não vai poder ser candidato!”, sentenciou o artista.
– Por que não? – rebati. “Até as pedras sabem que o vice-governador sonha com a prefeitura santarena.
“Sonhar não custa nada, mas a realidade é diferente dos sonhos. Em política, como em tudo nesta vida, tem fila”.
– Fila? – perguntei.
“Sim, a fila! E tentar furar a fila, como vem fazendo o Helenilson, não adianta em nada as suas pretensões políticas, pelo contrario, só as prejudicas.
– “Mas como?”, rebati. “Sem mesmo nunca ter ganho uma eleição, o Helenilson já é o vice-governador?”
“Exatamente!’, respondeu o artista. “Vice-governador não tem voto, não é eleito. Ele vem no colo do governador. O povo nem lembra do nome. Ou achas mesmo que se ele tivesse encabeçado a chapa teria sido eleito? O Helenilson é gente boa, mas ambicioso demais. Não sabe esperar sua vez, por isso acaba se desgastando na tentativas de furar a fila”.
– Mas que papo é esse de furar a fila? – perguntei.
“Primeiro, juntos aos nanicos, tentou vaga de deputado, mas tinha gente na frente e não deu. Aí foi para o PMDB, achando que num partido maior conseguiria uma pole position, mas ali a fila era maior… Então teve que reingressar no PPS, e só deu para arrumar a vaga de vice…”
– “E você acha isso pouco?”, perguntei.
“Acho!”, respondeu o artista. “Você conhece algum vice que se destacou nessa função? Vice não é nada, não manda nada. Não passa de um cargo decorativo, ainda mais num partido nanico. Só vale se o titular sair de cena, o que não é o caso do Jatene”.
– Mas então o que o Helenilson vai fazer na sucessão municipal?”, indaguei.
“Apoiar o candidato de sua coligação na propaganda”, respondeu o meu artista. “No PMDB, não há espaço. E no campo político onde navega tem Alexandre Von e Lira Maia na frente, que tens os votos reais”.
– Sim, mas se o Helenilson tomar coragem e encabeçar uma coligação PPS, PV e demais nanicos?”, perguntei.
“Nem se fosse em Marte. Satélites não são planetas. Eles só rodam no entorno dos planetas”, respondeu sarcástico o artista. “No máximo, juntos, fariam um vereador”.
– E o que isso significaria para o Helenilson?
“Esperar que a fila ande. E enquanto isso… tentar se manter em evidencia na mídia”, concluiu o artista.
– Mas então, qual será a tônica da disputa municipal?’, foi a minha última pergunta.
“Vai polarizar como sempre, claro… Alexandre versus Inácio”.
– E quem vai ganhar?
“Não dá para dizer agora. Ainda é muito cedo. Santarém ainda tem a maldição de não ter segundo turno. Vai depender das alianças, do número de candidatos e das circunstância’, finalizou o artista.
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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.
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