Uma das estrela do PSOL em Santarém, Ib Tapajós comenta o post PSOL: fundamentalismo ou governabilidade?, da lavra do sociólogo Tiberio Alloggio:
Marcelo Freixo (que não fez coligação) polarizou a disputa eleitoral na capital do Rio com o candidato do PMDB e do Governo Federal (Eduardo Paes) e alcançou quase 1 milhão de votos – 30% do eleitorado, ficando em 2º lugar.
Santarém se situa nesse marco geral de crescimento do espaço político do PSOL. De 2008 para 2012, a votação de Márcio Pinto passou de 6.757 votos para 12.234. Na disputa proporcional, passamos de 1.777 votos para 3.644, ou seja, mais do que dobramos nossa votação.
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Diante desse crescimento nacional do partido, nosso desafio é duplo:
1) Continuar crescendo, ocupando mais espaços institucionais e consolidando nossa referência junto aos movimentos sociais como um partido que expressa as lutas democráticas, populares e em defesa dos trabalhadores;
2) Evitar o desvio oportunista que pode levar o partido à degeneração, tal qual ocorreu com o PT, que chegou ao cúmulo de se aliar com Maluf em São Paulo. Nesse sentido, o caso de Macapá é preocupante, porque a campanha de Clécio no 2º turno contou com participação direta de partidos de direita como DEM e PSDB, que não possuem nenhuma afinidade ideológica ou programática com o PSOL.
É claro que a conquista de uma prefeitura é um avanço importante, que permite ao PSOL mostrar o Brasil que é possível governar de um jeito diferente. Todavia, não podemos cair no jogo do vale tudo eleitoral e das alianças sem princípios, que podem levar o PSOL a trilhar caminhos parecidos com os do PT.
Não sou contra alianças. Acredito que o partido precisa fazer um esforço para dialogar com outras forças políticas. No entanto, toda aliança deve passar por acordos programáticos sólidos, e não apenas pelo pragmatismo eleitoral.
Em Macapá, espero que Clécio faça um bom governo, combatendo a corrupção que havia tomado conta da máquina pública daquele município. Mas, para isso, deve constituir um governo sem influência de forças políticas conservadoras, cujos interesses são incompatíveis com o programa de mudanças do PSOL. Só assim, com independência política e clareza nos princípios, nosso pequeno partido poderá se consolidar como um partido necessário para o povo brasileiro!