Jeso Carneiro

Temer troca voto por projeto de lei que reduz área da flona do Jamanxim

Temer troca voto por projeto de lei que reduz área da flona do Jamanxim, michel temer

Um mês depois de exaltar seus vetos a medidas provisórias que reduziriam áreas de preservação ambiental, o presidente Michel Temer enviou ao Congresso projeto de lei para diminuir 350 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, ameaçada pela ação de grileiros e madeireiros.

Nas últimas semanas, proprietários de terra na região em torno da floresta do Jamanxim vinham promovendo bloqueios na BR-163 pedindo a apresentação do projeto de lei.

Para ambientalistas, Temer entrega a floresta em troca de votos dos ruralistas para se manter no cargo.

A bancada ruralista na Câmara tem 230 deputados — 58 a mais do que o necessário para derrubar em plenário a tramitação do processo criminal contra o presidente.

Na noite de quinta-feira, Temer provocou os parlamentares a votarem o projeto de lei com urgência, como já havia sido anunciado pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

IMPASSE JURÍDICO

No dia 19 de junho, o presidente havia informado no Twitter, à modelo Gisele Bündchen, os vetos a MPs que atingiam a floresta do Jamanxim. Gisele tinha aderido a uma campanha do Ministério Público Federal contra as mudanças nos limites da floresta.

O projeto propõe cortar cerca de 350 mil hectares da floresta — de 1,3 milhão de hectares para 953 mil hectares.

O Ministério do Meio Ambiente, na justificativa do texto, alega “impasse político e jurídico” causado pelas medidas provisórias do mês passado. A pasta afirma ainda que a área da Floresta Nacional do Jamanxim (Flona) tem sido “palco de recorrentes conflitos fundiários e de atividades ilegais de extração de madeira e de garimpo associados a grilagem de terra e a ausência de regramento ambiental”.

Sarney Filho destacou a escalada de violência contra funcionários públicos na região.

No último dia 7, oito carros e um caminhão cegonha do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram incendiados em Altamira, no sudoeste do Pará, próximo à região da Flona. A Polícia Federal investiga o caso.

PASSAGEM DA FERROGRÃO

Em junho, Temer havia vetado integralmente a MP 756 e parcialmente a 758.

A 756 flexibilizava os critérios de uso da Flona, transformando parte dela em Área de Proteção Ambiental (APA). A mata seria reduzida em aproximadamente 500 mil hectares, de 1,3 milhão de hectares para 813 mil hectares.

Já a MP 758 previa a exclusão de cerca de 860 hectares do parque nacional para dar passagem à estrada de ferro Ferrogrão, próxima à BR-163.

Os vetos de Temer aconteceram às vésperas de viagem com agenda ambiental na Noruega, que era o primeiro doador do Fundo Amazônia e já havia aportado à iniciativa R$ 2,8 bilhões desde 2009. Contudo, o presidente passou por constrangimento em Oslo, quando foi anunciado corte de R$ 200 milhões das doações ao país.

Neste link, a íntegra da reportagem.

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