Jeso Carneiro

Sairé: 300 anos de cultura popular

O Sairé é a mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia. A festa existe há mais de 300 anos, mantendo intacto o seu simbolismo e essência.

Sua origem remonta ao período da colonização do Brasil, quando os padres jesuítas, em missão evangelizadora pela bacia do rio Amazonas, envolviam música e dança na catequese dos índios – essa é a hipótese mais provável, já que, antes da catequização, os indígenas não conheciam a religião cristã, nem os textos bíblicos e nem o mistério da Santíssima Trindade.

Com as mudanças ocorridas ao longo desses 300 anos, o Sairé foi ganhando novos contornos.

Atualmente, é festejado no mês de setembro e consiste em um ritual religioso que se repete durante o dia, culminando com a cerimônia da noite – ladainhas e rezas – seguida da parte profana da festa, representada pelos shows artísticos (com apresentações de danças típicas) e pelo confronto dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa. São cinco dias de muita música, dança e rituais resultantes do entrelaçamento social e cultural entre os colonizadores portugueses e índios da região do Tapajós.

A história dos 300 anos de Sairé é um tanto quanto acidentada. Sofreu uma paralisação de 40 anos (de 1943 a 1973), voltando a ser realizada por iniciativa de moradores da vila de Alter do Chão, numa tentativa de reviver a antiga tradição local.

O belo e singelo folclore, até meados do século passado, tinha significação puramente religiosa, celebrando a Santíssima Trindade, com um semicírculo (o Sairé) de cipó torcido, envolvido por algodão e enfeitado com fitas e flores coloridas.

O símbolo possui três cruzes dentro do semicírculo e outra na extremidade, representando as três pessoas da Santíssima Trindade e um só Deus – é uma criação indígena com base nos escudos portugueses. Em lugar da Cruz de Cristo que adornava os símbolos portugueses, o Sairé (certamente por inspiração de algum missionário católico) associou o mistério da Santíssima Trindade, utilizando a imagem da pomba que representa o Espírito Santo.

Esse estandarte segue à frente da procissão, conduzido por uma mulher, que recebe o nome de Saraipora. Há registros de que o Sairé era canto e dança de certos índios da Amazônia. Em Alter-do-Chão, o que se conhece por Sairé é o seu símbolo, cuja versão corrente representa “o respeito dos índios, usado para homenagear os portugueses quando esses aportaram em suas terras”.

Com informações da Prefeitura de Santarém

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