Jeso Carneiro

Hospital no PA é denunciado ao Ministério da Mulher por violar direitos humanos

Hospital no PA é denunciado ao Ministério da Mulher por violar direitos humanos
O hospital é gerido por freiras, que teriam proibido cesáreas e laqueaduras. Foto: Ag.PA

As freiras à frente do hospital Santo Antônio, em Alenquer, oeste do Pará, proibiram a realização de laqueaduras e cesarianas na unidade de saúde. E repassaram a ordem a todos os médicos que ali trabalham. Abriram exceção apenas às mulheres que pagassem em dinheiro vivo as cirurgias.

Estabelecimento privado, mas que recebe também verbas do SUS, o Santo Antônio foi denunciado por adotar essa prática no Disque 100 – serviço que recebe denúncias de violações de direitos humanos e que está atrelado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

A pasta dirigida pela ministra Damares Alves acionou, então, o MPPA (Ministério Público do Pará), que por sua vez abriu investigação preliminar (notícia de fato, no jargão do órgão ministerial) para apurar a denúncia.

O promotor Pedro Renan Cajado Brasil, da PJ (Promotoria de Justiça) de Alenquer, assumiu o caso na semana passada (dia 30). Deu prazo de 10 dias para que o hospital apresente “manifestação técnica” sobre a denúncia.

E mais: pediu os nomes de todos os profissionais que fazem parte do atual quadro médico do Santo Antônio.

A proibição de cesáreas e laqueaduras em curso no hospital teria ocasionado, ainda segundo a denúncia, a morte de inúmeros bebês.

A laqueadura é uma cirurgia para a esterilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando que o óvulo e os espermatozoides se encontrem.

O parto cesáreo é uma forma de nascimento de bebês por via cirúrgica, normalmente indicada quando há risco para realização de um parto normal.

Em publicação nas redes sociais, a direção do Santo Antônio disse que “até o presente momento, 03/04/2022, não foi oficializado sobre a suposta denúncia”. E frisou que acredita que “o Ministério Público vai investigar quem divulgou o processo antes de ter sido oficializado, por que é sério”.

Criticou também o editor do JC:

“Não é a primeira vez que essa pessoa faz postagem midiática denegrindo a imagem de uma instituição, que é séria, trabalha com responsabilidade, respeito e ética, porque esses valores e princípios os que trabalham no HSA entendem muito bem”.

“Publicação de inverdades para a população é crime, e antes, deveria pensar nos prejuízos morais que traz para a imagem da instituição e para seus colaboradores que labutam dia e noite cuidando da saúde da população, e a maioria é grata”.

Por fim, a nota assinada pela Irmã Nila Soares, ressalta que “a divulgação expressa falta de ética, falta de respeito e de responsabilidade, principalmente, considerando que até o presente momento não houve notificação para a Instituição. Se justiça solicitar informações juntos buscaremos a verdade”.

Atualização: a matéria foi atualizada às 21h19 deste dia 3/04/2022, para inclusão do contraponto do HSA.

Nota do editor: O JC ratifica todas as informações veiculadas na presente matéria sobre o caso.

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