Novo diretor técnico do HRBA (Hospital Regional do Baixo Amazonas), com sede em Santarém, o médico Erik Jennings comenta a a nota (e faz contraponto a comentários) Prefeiturável do PV nomeado nº 2 do HRBA:
Acredito que o Hospital Regional foi a maior conquista da população do oeste do Pará. Sempre que surgiu uma oportunidade de contribuir para seu funcionamento ou melhoria, estive presente.
No início, a luta foi para abrir o hospital. A sociedade organizada, amigos, parentes participaram de manifestações. Até o Tibério esteve na passeata, dando assim uma grande contribuição, assim como o amigo Antonio Jorge Hamad, Carlos Jaime, Padre Edilberto, Conceição Menezes, Celivaldo, Jeso Carneiro e muitos outros que lembro, mas não terei espaço aqui para listar todos.
É claro que no início me foi negado qualquer emprego por lá. Fui até proibido de entrar no hospital. Compreendi, não era para menos.Tínhamos atingido o “governo”. Mas a questão naquele momento não era EU trabalhar no hospital, mas sim vê-lo funcionar! Só.
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Fui admitido com o rótulo de “agitador”. Trabalhei vigiado. Depois de três anos de trabalho, agora o desafio colocado foi a diretoria técnica do hospital. Aceitei a função por uma obrigação moral que tenho comigo mesmo e com a população desta região. Salário ? Ego? 2012? Nada disso. Apenas desejo contribuir para um hospital mais seguro e acessível.
Logicamente, essa nova função gera especulações tanto para o futuro, como também de como ocorreu. Sinceramente, não gostaria de gastar tempo e energia tentando justificar que nesta “ Longa Marcha” (que está apenas começando) não enganei ninguém. Não fui totalmente“ bonzinho”, mas também não fui e nem sou nenhum monstro.
A discussão que gostaria de fazer aqui seria como tornar este hospital mais seguro para todos? Como torná-lo mais REGIONAL, já que 80% de seu atendimento é utilizado por pessoas de Santarém e 20% por nossos irmãos dos outros municípios ? Como torná-lo mais pleno, uma vez que sobra vagas na radioterapia e mamografia?
Enquanto isso nossos vizinhos de Altamira necessitam ir a Belém em busca de tratamento para câncer, entrando numa fila sem fim. Nossas mulheres sem investigação para câncer de mama, remam vagamente e perdidamente pelos rios e furos da região. Essas questões serão respondidas fora do hospital. Serão respondidas na regulação, que hoje não funciona. Não inclui a todos com agilidade e justiça.
E quem regula? Deve ser o Estado ou o Município de Santarém? Precisamos discutir isso de forma responsável e não com interesses político/partidários. Se a regulação não funciona, o hospital é pouco acessível. Não é justo.
A verdadeira discussão que trará resultado para a população para nossos amigos e famílias é que precisamos de mais leitos de UTI. Sem isso não teremos cirurgia cardíaca, nem transplante renal. Sem mais leitos de UTI, o hospital ficará lotado, como está, mas sem resolver os casos internados ou que esperam cirurgia de alta complexidade. Os políticos continuarão ligando para amigos médicos e diretores para arrumar aquela vaguinha para os seus.
Precisamos discutir o contrato dos médicos por firmas de Santarém e não por agencias em São Paulo ou Recife, que tiram dos médicos não só algum trocado a mais, mas também o seu entusiasmo pelo trabalho.
O que realmente faz diferença para a vida é o tempo e a qualidade de acesso. E isso é de responsabilidade de todos nós. Para isso, torna-se necessário a implantação urgente do Conselho Gestor do hospital. Neste conselho a sociedade organizada e cidadãos comuns terão voz e mando.
Ao conselho, médicos e gestora prestarão contas. Essa é uma discussão que todos devem estar atentos e participativos.
O que realmente faz diferença para a vida digna é trabalho e amor pela terra, pela família, pelos amigos e respeito pelos que pensam diferente. A direção técnica será um exercício diário para uma vida digna e segura.