Jeso Carneiro

“O Abaré é um marco histórico”

Coordenador do PSA (Projeto Saúde & Alegria), Caetano Scannavino Filho comenta o post Abaré 1 e 2. Vem aí o 3:

Jeso,

Muito oportuno o seu post.

A estratégia de Saúde Fluvial é uma das maiores conquistas do Tapajós e seus municípios. O que iniciou com o Abaré I começa a se multiplicar não apenas na nossa região, mas também para toda Amazônia e Pantanal. E ter participado juntamente com as comunidades e os demais parceiros da construção desta política publica é um marco histórico para nós.

Não é nosso papel substituir o estado e sim somar esforços. No passado, o apoio era mais necessário quando as condições das prefeituras eram limitadas para atender as localidades mais remotas de uma Amazônia com municípios do tamanho de países.

Lideranças foram apoiadas no controle social, formamos monitores de saúde depois contratados como ACSs, capacitamos parteiras e Clubes de Mães, implantamos infraestruturas de saneamento geridas pelos próprios ribeirinhos, realizamos inúmeras campanhas educativas e preventivas, entre outras ações que instrumentalizaram as comunidades para seguir em frente.

Em 2006, com a implantação do Abaré I, deu-se o passo que faltava para construção de um modelo mais integral de saúde básica, adaptado ao contexto amazônico, resoluto, participativo e passível de integração com ao SUS.

Ao final de 2010, com o lançamento da Portaria 2.191 e o credenciamento do Abaré I como a primeira Unidade de Saúde da Família Fluvial do país, este objetivo persistido foi alcançado, tendo a embarcação operado sob coordenação das prefeituras ao longo de 2011 com mais de 20 mil procedimentos assistenciais realizados, estando o PSA apenas nas ações complementares (campanhas educativas, apoio logístico, articulação com Universidades para o receptivo de estudantes e residentes, etc).

Cabe lembrar ainda que a portaria junto ao Abaré I significou também o cumprimento das condicionantes apresentadas em Termo de Acordo pelo TDH em meados de 2010 para a continuidade.

Diante de todos estes avanços, temos nos empenhado na mobilização pela sua manutenção na região. Não está se pedindo mais verbas aos holandeses – que já apoiaram tanto o Tapajós – e sim o cumprimento de um compromisso assumido desde o inicio da cooperação.

Se isto acontecer, que não se confunda com a doação da embarcação diretamente ao PSA, o que entendemos que seria um retrocesso. O Abaré deve se constituir como um bem público, a serviço dos cidadãos ribeirinhos no cumprimento dos seus direitos a saúde assegurados pela Constituição brasileira.

E continuaremos abertos para apoiar as comunidades e nossas instituições públicas por meio de ações complementares que incrementem o papel social do Abaré, diversifiquem os seus serviços e ajudem na sua sustentação.

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