Vacinados como Ronan Liberal podem adoecer de covid-19. Saiba o porquê
Ronan Liberal, ex-prefeito de Santarém: infectado pela covid-19 apesar de vacinado (primeira dose). Foto: Reprodução/Arquivo BJ

Pessoas vacinadas podem adoecer de covid-19? A dúvida ressurgiu após morte de Agnaldo Timóteo, no sábado (2), e da infecção do ex-prefeito Ronan Liberal (MDB), em Santarém, ambos vacinado. Especialistas afirmam, segundo O Globo, que o risco existe e pode ser explicado por diferentes fatores.

No caso de Timóteo, os médicos acreditam que ele tenha sido infectado pelo coronavírus durante o intervalo entre a primeira e a segunda dose do imunizante. Segundo a família afirmou à GloboNews, ele foi internado três dias depois de receber a segunda injeção.

 

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, explica que antes de receber a segunda dose do imunizante o cantor estava, em teoria, parcialmente ou muito pouco protegido. Ronan Liberal, 81 anos, recebeu apenas a primeira dose.

Richtmann afirma que uma pessoa é considerada protegida apenas duas ou três semanas após receber o número de doses recomendadas (duas, no caso da CoronaVac e da vacina de Oxford/AstraZeneca, atualmente utilizadas no Brasil). Esse período é necessário para que a resposta imune seja gerada.

“A vacina aplica um antígeno que vai induzir o sistema imune à produção de anticorpos, que podem ser aleatórios ou que vão neutralizar o vírus em questão. Para ter produção de anticorpos neutralizantes em quantidade suficiente para se proteger demora um tempo. A segunda dose estimula de novo o sistema imune, de forma até mais eficaz, e duas semanas é o tempo médio para que possa atingir uma quantidade melhor de proteção”, explica a infectologista, membro do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Vacinados: maioria casos leves da doença

Mas mesmo aqueles que já estão adequadamente vacinados ainda podem ser infectados. Isso acontece pois nenhuma vacina é 100% eficaz, seja na prevenção de doença ou de formas graves, explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

“Vamos ver com muito mais frequência indivíduos que tiveram covid após tomar só a primeira dose, ou antes de completar duas semanas após a segunda. Mas mesmo entre os que receberam duas doses e passou esse tempo, ainda é possível adoecer. O que se espera é que a grande maioria dos casos sejam leves, mas vão ter indivíduos que não vão responder à vacina e podem desenvolver uma doença tão grave quanto se não tivessem sido vacinados. É uma minoria”, afirma Kfouri.

A microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência Natalia Pasternak explica que a eficácia de uma vacina é a probabilidade de que, após tomá-la, uma pessoa não adoeça, de acordo com o que foi observado nos testes clínicos. No caso da CoronaVac, por exemplo, a eficácia de 50,4% significa que quem foi adequadamente vacinado tem a chance de ficar doente reduzida pela metade.

No caso da vacina de Oxford/AstraZeneca, a eficácia apresentada foi de 70%, segundo uma revisão publicada na revista científica Lancet. Dados mais recentes, de testes nos EUA, apontaram a eficácia de 76%, segundo o laboratório.

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Com a vacina usada agora em escala maciça, dezenas de milhões de pessoas a estão recebendo, e mortes entre os recipientes começam a aparecer, sobretudo porque pessoas podem morrer de outras causas. Esses números raramente contradizem as conclusões sobre eficácia tiradas dos testes clínicos, mas em alguns casos eles podem revelar efeitos colaterais relativamente raros da vacina.

Pasternak destaca que as vacinas contra a Covid-19 não são “mágicas” e não são uma estratégia individual. Por isso, para saber se estão funcionando é preciso observar a população em geral, e não individualmente.

“Por isso a importância de usar a vacina como estratégia coletiva. Quanto mais gente for vacinada, menos frequentes ficam as exceções [casos graves após vacinação]“, afirma Pasternak.

Os especialistas destacam que no cenário atual do Brasil, com alta circulação do coronavírus, número de casos e mortes pela Covid-19, os relatos de doença após a vacinação completa se tornam mais frequentes.

Para ilustrar o problema, Pasternak faz uma comparação das vacinas com um goleiro de futebol:

“Sabemos que o goleiro é bom pelo histórico, as estatísticas de quantas defesas costuma realizar por jogo. Mas se pego o bom goleiro e coloco em um time com defesa ruim, não para de chegar bola, ele vai tomar gol. O mesmo acontece com a vacina: se não tem ninguém usando máscara, fazendo isolamento social, vai ter furos”.

Ela acrescenta que, ao vacinar grande parte da população, é como se a defesa do time se tornasse melhor, porque o vírus passa a circular menos entre as pessoas.

Com informações de O Globo e redação do Blog do Jeso

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5 Comentários em: Vacinados como Ronan Liberal podem adoecer de covid-19. Saiba o porquê

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  • Enilda Dantes disse:

    Jeso mas é verdade a unanimidade dos médicos e homens da ciência que aconselham que mesmo tomando vacina é pra manter isolamento, higienizar e ficar em casa. A vacina não impede transmissão do vírus

    1. Jeso Carneiro disse:

      Sim. Mesmo porque a vacina não tem eficácia 100% – nenhuma.

  • Marenilda disse:

    Já tem contabilizados milhares de pessoas que foram vacinadas com primeira e segunda dose e após 30 dias foram infectadas e morreram. Tods os médicos e cientistas afirmam que Não muda nada com a vacina. Nada
    É pra manter isolamento e uso de máscara. Ficar em casa. Ou seja, a vacina não resolve

    1. Jeso Carneiro disse:

      Vacina resolve mais que o kit covid. É o “remédio” mais eficaz que a ciência possui hoje contra a doença. E que tem salvo a vida de milhões de pessoas no planeta.

    2. João disse:

      Qual a fonte de sua pesquisa. Pois os índices de laboratórios e testes feitos por agências de saúde com a FDA e a Anvisa contatam que a vacina tem sim eficácia. Não é 100% pra casos leves, mas reduz drasticamente os casos graves. Então não é verdade quando você diz que vacina não resolve.