Fábio Jennings
Iniciando uma série de entrevistas com pessoas de sucesso em suas atuações profissionais, o nosso primeiro é nada mais nada menos que o médico FABIO JENNINGS SIMÕES, 40 anos, santareno, leonino, que reside há muitos anos em São Paulo.
Sempre que tem um tempinho, visita sua terra natal, familiares e amigos. Iniciou seus estudos no tradicional Colégio Dom Amando. Ele é brilhante em suas atuações, graduado pela Universidade Federal do Pará – UFPa, em 1996.
Fez residência médica e reumatológica na Universidade de São Paulo (Unifesp) de 1997 a 2000. Mestrado em Reumatologia com o tema “Reabilitação em Artrite reumatoide” pela Unifesp (2000 a 2002). E especialização em Medicina Esportiva pela Unifesp (2004) e pela Universidade de Stanford – USA (2006 a 2007).
Doutorado em Reumatologia com o tema “Exercícios aeróbicos em espondilite anquilosante” (2008 a 2012), pela Unifesp. Estudioso no assunto de reumatologia, é autor e co-autor de trabalhos apresentados em Congressos Nacionais e Internacionais de Reumatologia. Fábio Jennings, como é mais conhecido, abre com chave de ouro esse segmento de nosso trabalho.
A reumatologia, ainda hoje, é sinônimo de especialidade que trata da “velhice”. O que há de equivocado nessa concepção?
Fábio Jennings: A reumatologia não é uma especialidade que só trata de idosos. As doenças reumáticas podem atingir desde crianças com poucos anos de vida e adultos jovens até pessoas idosas. Inclusive, as doenças reumáticas que tem origem auto-imune são mais comuns e graves em pessoas jovens (entre 20 e 40 anos de idade). O que traz essa ideia equivocada sobre a reumatologia é que as doenças reumáticas mais comuns e conhecidas são aquelas degenerativas (como a artrose) que aparecem nas idades mais avançadas.
Então é uma especialidade que atua nas diversas faixas etárias?
A especialidade é bem mais ampla e abrange todas as doenças que afetam o aparelho locomotor (ossos, articulações, músculos e tendões) que não são causadas por traumas e também as doenças originadas de alterações no sistema imunológico. Atualmente, com o aumento dos conhecimentos sobre o envelhecimento, sobre o sistema imune e da genética, os diagnósticos ficaram mais específicos e os tratamentos mais eficazes.
A medicina esportiva se estabeleceu hoje como uma especialidade médica devido principalmente a que tipo de esporte?
A medicina esportiva era tradicionalmente uma especialidade médica direcionada para o tratamento de atletas de diversas modalidades esportivas. Era mais praticada por ortopedistas para tratar as lesões de esportistas, e no Brasil, o futebol tem importância histórica no crescimento da especialidade. Mas, atualmente, a medicina esportiva é praticada por medicos de várias especialidades clínicas (como cardilogistas, endocrinologistas, reumatologistas, etc) e também se firmou como uma especialidade com residência médica reconhecida. Ao meu ver, o que tem estimulado o crescimento da especialidade no mundo é o reconhecimento dos benefícios dos exercícios físicos tanto na prevenção como no tratamento de doenças crônicas como o diabetes e a artrose. O exercício físico passou a ser parte fundamental da prescrição médica, em conjunto com os medicamentos convencionais.
Você é contra ou a favor de médicos estrangeiros trabalharem no Brasil?
Eu não sou contra médicos estrangeiros trabalharem no Brasil. Sou contra a forma como esses medicos foram trazidos ao pais, sem muito planejamento e sem um diálogo com os conselhos da classe médica brasileira. Sabemos que em todos os países, existem requisitos mínimos que médicos devem preencher para migrarem, como a proficiência na língua e a revalidação do diploma. Isso não foi respeitado no programa do do governo. Além disso, é notório que o problema de saúde pública não sera sanado somente com um maior número de profissionais.
O que você acha da escola cubana de medicina? E a dos EUA ?
Hoje em dia, todo o conhecimento científico em medicina é divulgado em congressos internacionais e publicado em revistas especializadas internacionais. São esses estudos que norteiam o diagnóstico e o tratamento precisos das doenças. Na minha especialidade, desconheço a produção científica da escola de Cuba, provavelmente pelo fechamento do país ao processo de globalização do conhecimento. Já a produção dos EUA assim como de todos os países da Europa, Ásia e Oceania são bem divulgados e a maioria de boa qualidade.
Minha experiência fora do país, quando fui fazer especialização em Stanford na Califórnia, mostrou-me a seriedade e o avanço da medicina nos EUA. Mas também consegui ver que os grandes centros Brasil não estão muito a dever aos EUA quanto ao conhecimento médico.
Quais os seus planos em termos profissionais?
Atualmente atuo no meio acadêmico na Universidade Federal de São Paulo ensinando residentes e co-orientando teses de mestrado e doutorado. Também atuo na prática privada. Meus planos são de permanecer na produção científica e no ensino da reumatologia na universidade e conciliar com o atendimento no consultório. Meu maior plano profissional é me manter sempre atualizado para tomar as melhores decisões.
Qual o conselho que você dá a um jovem que sonha em ser médico?
Primeiro, acho que ser médico não é um sonho, tem que ser uma decisão de vida profissional. Médico não pode sonhar muito (risos). Na medicina, pela grande quantidade de informação a disciplina é indispensável. Tem que estudar, não tem outro caminho. Assim como em todas as outras profissões, na medicina tem que ter comprometimento e responsabilidade e procurar fazer o melhor e mais correto em cada situação.
