Do professor e jornalista Manuel Dutra, sobre o artigo Humor e ironia, da lavra de Cristovam Sena:
Excelente esta reflexão do Cristovam.
Millôr era isso aí, e o seu desaparecimento obteve pouquíssima repercussão na sociedade porque, como diria o Mestre Balão, a maioria das pessoas é analfabeta, ainda que saiba ler. Mesmo Chico Anysio só teve maior repercussão porque fazia humor na televisão. Duvido que, em rodadas de boteco, Millôr seja lembrado. E mesmo Chico.
Uma pena e um sinal de que nosso humor ainda é maciçamente chulo, piadas monossilábicas, sem aquela malícia do relato engraçado e sério ao mesmo tempo.
Nada mais sério do que o humor inteligente. Mais fácil ouvir-se alguma coisa de Renato Aragão e das caretas do Costinha. Bons humoristas também, que se enquadram naquela categoria do humor fácil e que dispensam a reflexão. E não me refiro apenas ao humor consumido/produzido por aquele grupo social pejorativamente chamado de “povão”, mas pela elite também.
Aliás, essa elite que se diverte não com a cabeça e a sensibilidade estética, mas com a barriga, basta ler os diálogos no facebook publicados no Eu Acuso do Lúcio Flávio. Vão a Paris comer e voltam dizendo ter entrado em teatros e degustado cultura. Vão, sim, apenas para dizer isso na volta. Não digo estas coisas para defender a existência de uma sociedade intelectualizada, apenas uma sociedade majoritariamente inteligente. Precisamos do humor que nos faça rir e não apenas gargalhar!