por Edilberto Sena (*)
Fazia tempo que não escrevia ao Blog do Jeso, por motivo que já saem os editoriais no site da Rádio Rural de Santarém (www.radioruraldesantarem.com.br) e as atividades pastorais, radiofônicas e em defesa da Amazônia me absorvem bastante tempo.
Mas hoje decidi tirar um tempo para aliviar o Blog do Jeso da provocação política do grande jornalista Jota Ninos, mudando para um assunto rico de positividade em nossa região.
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A cultura artística é famosa por aqui, orgulho sadio do todo o oeste do Pará, nem sempre valorizado pelo pessoal de Belém.
Estive na semana passada em Óbidos para um seminário sobre mudanças climáticas e grandes projetos na Amazônia. Lá encontrei um projeto artístico em construção. Não era uma hidroelétrica não! Lá estava o artista plástico Apolinário Oliveira trabalhando a edificação de uma estátua de Nossa Senhora Santana, padroeira da Prelazia de Óbidos.
Fui lá perto e contemplei de frente a bela estátua em cimento armado, já em fase de arremate. Com três metros de base em coluna romênia, a estátua de 6,5 metros de altura apresenta a santa padroeira em pé, protegendo sua filha, a mãe de Jesus. Na praça em frente à catedral de Óbidos, a obra tem futuro, como tiveram as obras de Aleijadinho em Minas Gerais.
Ao ver aquela obra, até agora única na região, que eu saiba, fiquei a pensar nos grandes artistas, como Van Goh e o próprio Aleijadinho, que em vida, por sua condição de vida pessoal, não foram reconhecidos pelos contemporâneos. Só após a morte tiveram sua memória reconhecida como peritos e até gênios na arte.
Apolinário, nosso artista plástico santareno, nem sempre é bem acolhido pelos contemporâneos, suas obras pouco são valorizadas. Mas o que vi na estátua de Santana sendo erigida por Apolinário em Óbidos imagino daqui a 20 anos, gerações futuras contemplando mais uma obra de arte, como hoje muitos contemplam as obras de Miguel Ângelo na Itália.
Conversei com ele, numa pausa da construção da obra e o artista me dizia que pretende construir, no mesmo estilo, uma estátua de Santo Antônio em Oriximiná, outra em Alenquer e concluir seu desafio em Santarém com uma bela estátua de Nossa Senhora da Conceição contemplando o panorâmico encontro das águas em frente à catedral.
Tudo dependerá da aceitação dos responsáveis pelos espaços, como foi acolhido na cidade de Óbidos. Lá, disse ele, de início teve apoio do vigário e de poucas pessoas. Boa parte da população da cidade não acreditava que ele fosse capaz de erigir uma obra de arte em cimento armado com nove metros e meio de altura. Hoje muitos dos desconfiados se orgulham da Santa Santana que saiu do altar e foi se postar em plena praça.
Quem sabe, daqui a alguns anos, Apolinário será reconhecido mais do que um artista plástico, e sim como um dos grandes artistas dessa exuberante cultura tapajônica.
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* É padre diocesano em Santarém, ambientalista e diretor da Rádio Rural de Santarém.
