Jeso Carneiro

Alexandre Von e a oração do padre

por Álvaro Cunha (*)

Li — aqui mesmo no Blog do Jeso — um pedido, um apelo, quase uma oração dum sacerdote da santa igreja católica à população da Pérola.

O padre suplicava aos munícipes para darem “um voto de confiança e credibilidade ao prefeito santareno nestes dias. Ele tem sido criticado por seu governo lento e comprometido com a classe empresarial. Mas outros pensam diferente, pois, afinal, ele só concluiu o primeiro ano de mandato.”

Leia também dele:
Viva é o cacete.
Aqui a história é outra.

A boa-fé com que o religioso se expressou é vista pela disposição semântico-pragmática de suas palavras. Ok, como remissão de pecados, 10 para ele; como recado político, zero para a atitude do cabo eleitoral que podia tomar uma dura do bispo ou levar uma multa do TRE-PA por propaganda eleitoral antecipada, https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/lei-das-eleicoes/lei-das-eleicoes-lei-nb0-9.504-de-30-de-setembro-de-1997.

Ainda bem que, na prática, isso não vai redundar em nada.

Alexandre Raimundo de Vasconcelos Wanghon é um homem que quer contribuir com o desenvolvimento e progresso da cidade — fato; fato também que é admirado por uma significativa parcela de mocorongos.

É uma figura pública que inspira confiança; aliás, sempre foi assim, desde quando separávamos os jornais dA Província do Pará e dO Liberal aí em Santarém.

Isto aqui não é um manifesto muito menos um flagrante de benquerença. É tão-somente a prática responsiva de quem não deseja ver o delírio de ruína nos santarenos. Vemos razões para desconfiar de tanto otimismo: qual será nossa lista de sonhos para 2014?

Já sabemos que a PMS não devolve nada em serviços e reformas; já sabemos que a corrupção não é um pecado moral, mas uma forma de gestão; já sabemos que nunca teremos uma Santarém resolvida e pronta, mas podemos separar o que é joio do que é trigo, redefinir a tênue linha que separa a miséria da mão-grande.

Como dizia certo político, antes barbudo e mau, agora bigodudo e bonzinho: “Os excluídos do país já nasceram derrotados desde Cabral”.

Não, não estamos derrotados e a culpa de nosso atraso não é da Cargill nem muito menos das pessoas que vieram de fora. Mudar Santarém tem de ser uma luta, um processo contra os canalhas aí de dentro.

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* Santareno, é pós-doutor em etno-antropo-linguística. Escreve regularmente neste blog.

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