Jeso Carneiro

Aqui a história é outra

rolezinho“Rolezinho” no shopping Itaquera (SP). Foto Reprodução/Twitter

por Álvaro Cunha (*)

Demorei a admitir que São Paulo fosse tendência para o País. Da moda ao entretenimento, não tem jeito, tudo começa ou ganha o selo de aprovação por aqui.

Então, fazendo mea-culpa, São Paulo dita os rumos da política, da economia, das estatísticas, dos escândalos, das tragédias e mais recentemente dos “rolezinhos”.

“Rolezinhos”, didaticamente, são encontros de jovens e adolescentes marcados, pelas redes sociais, em shoppings.

A proposta — segundo os meninos que agendam esses eventos — tem como alvo o maior número de bocas lambidas, o último grito do funk ostentação e transas de costas no muro. Quer dizer, é a confirmação profética de que assistiríamos a um tipo bestial de comportamento (pensando bem, creio que atitudes mais bizarras ainda estão por vir. Aguardem!).

São Paulo é o lugar onde os fenômenos sociais ficam expostos como em bufês de “fast food”. Na prática, é um laboratório cujos distúrbios e mazelas sociais pululam. Um espaço precioso a estudiosos das doenças mentais e grupais.

(…) E mal surgiram os “rolezinhos”, já vimos ontem (16) os “rolezãos”, isto é, protestos de movimentos sociais por direitos e garantias, a versão adulta dos “rolezinhos”.

Enquanto a manifestação pegava fogo, bati papos com um casal de manifestantes que — pasmem — discutia por causa da condição da garota: 16 anos, um filho no colo e outro no ventre.

O marido, 17 anos, me disse estar sem trampo e passa o dia assistindo ao programa do Chaves, Vale a pena ver de novo e Carrossel.

Assim, não há sociedade nem país que aguente. Moral da história, mais uma fornada de gente fina nas ruas.

Em Santarém a parada é diferente. Não vemos esses desatinos, porque nossas moças só aprendem a arriar uma cueca depois de casadas, meu parente!

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* Santareno, é pós-doutor em etno-antropo-linguística. Escreve regularmente neste blog.

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