Jeso Carneiro

“Calotes afastaram os médicos do interior”

Contraponto do leitor e médico Karlisson Cunha Lima (foto) à Frase do dia, de ontem, de autoria do também médico Everaldo Martins Filho:

Dr. Everaldo Filho, lhe respeito como profissional, principalmente pelo fato de ser médico, e assim como outros, o senhor ajudou a construir a medicina no oeste do Pará.

Porém, acho que o senhor esta EQUIVOCADO em dizer que existem “poucos profissionais”. No que se trata de médicos, isso não é verdade. O que acontece é que estamos diante de uma concentração de colegas nos grandes centros metropolitanos. Vamos às estatísticas:

O Pará tem 7.268 médicos registrados no CRM. Destes, 5.311 profissionais residem em Belém e Ananindeua. Ou seja, 73.07% vivem nesta região. APENAS 26.92% (1.957) estão distribuídos no interior do estado. Nossa Santarém possui apenas 248 médicos (3.41% do total).

Ou seja, essa concentração de médicos nas capitais nos faz pensar EQUIVOCADAMENTE que faltam profissionais, mas na verdade, eles se agrupam nos grandes centros.

Essa concentração ocorreu, pois antigamente muito colegas de Belém foram trabalhar no interior. Eles levaram sua família, e depois de pouco tempo de atuação pegaram calote no pagamento.

Os salários “gordos” que eram prometidos aos médicos foram pagos somente no primeiro mês. Porém, no segundo e terceiro já não eram mais pagos, fazendo com que o colega desistisse do interior e voltasse pra capital com sua família.

Essa é a VERDADEIRA explicação para a falta de médicos no interior do Brasil.

QUAL A SOLUÇÃO? Basta que o governo federal crie uma política pública, que permita a interiorização dos profissionais da saúde, permitindo a eles terem a dignidade de um concurso FEDERAL, com plano de carreiras e progressão salarial justa.

Os municípios pequenos infelizmente não podem arcar com essa política, pois estão sufocados com a MUNICIPALIZAÇÃO DA SAÚDE, já que esta praticamente esgota os poucos tributos oriundos da arrecadação municipal.

Por outro lado, uma Concentração de médicos não significa qualidade na saúde pública. O Rio de Janeiro e o Distrito Federal possuem uma elevada relação Médico-Habitante. Maior até que a Inglaterra e o Canadá.

Porém, segundo recente pesquisa que procurou avaliar a pesquisava da população brasileira em relação a saúde, o carioca e o brasiliense foram os que formaram as piores avaliações dos seus estados. Basta ver o caos que se encontram os hospitais federias no Rio de Janeiro.

Portanto, como pode uma cidade, com tantos médicos, viver uma calamidade na saúde publica? Será que somos realmente os culpados pelo que ocorre na saúde pública brasileira?

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