Jeso Carneiro

Mais hidrelétricas ou ética dos politicos?

por Edilberto Sena (*)

Em recente entrevista à Ràdio Rural, o deputado federal Lira Maia, eleito pela minoria dos votos dos pobres da região, mas assumido defensor ruralista, isto é, de seus colegas latifundiários, acaba de revelar a serviço de quem ele faz política.

Mesmo sendo partidário do DEM, se identifica com as obras do governo do PT no Tapajós. Ele concorda plenamente com as hidroelétricas da presidente Dilma, impostas no rio Tapajós, a peso de fuzis e metralhadoras em Jacareacanga.

Defender os interesses dos seus eleitores é um dever ético, já defender interesses alheios a eles é um direito falso nesta democracia de fachada do Brasil. Mas usar falsos argumentos para justificar a implantação de sete hidrelétricas no rio Tapajós, é abusar da inteligência da gente e iludir os desinformados sofredores dos apagões constantes provocados pela Eletronorte.

Afirmar que precisamos de mais hidrelétricas no Tapajós, porque Tucuruí está obsoleta, como ele afirmou é irresponsabilidade de um deputado federal, que deveria estar bem informado e ter ética em suas afirmações.

Como Tucuruí está obsoleta se a Eletronorte acaba de construir novo linhão de 1.800 kms desde Altamira, atravessando o rio Amazonas para alcançar Manaus e Macapá?

Tucuruí é simplesmente a terceira maior hidrelétrica do mundo atualmente, então como dizer que está obsoleta?

Outra falácia do deputado é afirmar que as hidrelétricas do Tapajós vão gerar energia para as populações da região, quando ele deve saber que elas são para gerar energia para as grandes empresas mineradoras e para o sul do país, como já estão em andamento as de Jirau e Santo Antonio.

Então, como o deputado ruralista santareno tem a sem-cerimônia de afirmar que precisamos de mais hidrelétricas, quando precisamos sim de honestidade da Eletronorte e do governo federal de reconstruir os cabos do linhão Tramoeste. Esse sim precisa de reparos, provavelmente, mas se o governo construiu rapidamente 1.800 kms para atender a Zona Franca de Manaus, como vai fazer as populações do oeste do Pará esperar até 2016?

Que deputados temos, eleitores e eleitoras do oeste do Pará? Acaba tendo razão o bispo prelado de Itaituba, dom Vilmar chamando-os de puxa-saco do governo, e dom Erwin, chamando-os de traidores de seu povo.

Precisamos de políticos éticos e fiéis ao seus eleitores, para que a vida seja menos sofrida.

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* Santareno, é padre diocesano e ativista ambiental.

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