por Telmo Moreira Alves (*)
Conheci coisas interessantes como carnaval montado a cavalo no interior de Minas Gerais, e olhei com olhos mais apurados o Carnaval tradicional e maravilhoso de Pernambuco.
Vi também algo que já havia notado em anos anteriores, o aumento da participação popular nos blocos de empolgação no Rio de Janeiro, também a força e a alegria do Carnaval onde o povo em vez de assistir pura e simplesmente nas chamadas passarelas do samba, participa e brinca nos blocos como nos velhos tempos.
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Vi também que os locais mais animados não têm rigidez de regulamentação oficial, muito menos horário imposto por prefeituras ou entidades associativas de blocos e aqueles saem pela manhã, outros a tarde e alguns entram pela noite.
Fiz esse preâmbulo para falar alguma coisa sobre o Carnaval santareno, que também acompanhei pela TV e constatei que a lenga lenga é a mesma. Duas entidades associativas de blocos, as mesmas reclamações de anos anteriores, tanto dos dirigentes de blocos quanto do povo que ainda tem saco pra ir até a orla assistir aquele espetáculo que em alguns momentos podemos chamá-lo de patético. Isso para não baixar o nível.
A ornamentação e infraestrutura do espaço dos desfiles (orla da cidade), que é da responsabilidade da Secretaria de Cultura, estiveram a contento, uma das melhores dos últimos tempos, porém o restante simplesmente foi catastrófico.
É louvável e merece todo o nosso respeito alguns abnegados carnavalescos santarenos, como os descendentes do mestre Bendelak, os da professora Romana e alguns outros pelo empenho e determinação em colocar os seus respectivos blocos na rua. Porém parece que algumas pessoas dormiram na década de 70, exatamente na época em que eu, Osires, Laurimar leal, Izaias Sete, Mangueira, Morenão, Tito Viana e essa turma que ainda está aí, fazíamos carnaval, tudo isso coordenado com muita competência pelo genial Edinaldo Mota.
A TV estava iniciando a transmissão ao vivo e com imagem não muito boa o desfile do Rio e São Paulo ao vivo. Santarém vivia a época do ouro, tinha grana e esbanjadores sobrando. Alguns deles ajudavam os blocos e escolas de samba. Era muito mais difícil sair daqui para outros lugares, por precariedade de vôos, preços altos das passagens etc.
Os carnavais de Alter do Chão e de Óbidos eram incipientes e não atraiam quase ninguém, conseqüentemente tudo que se fazia parecia coisa do outro mundo. Agora aqueles que estão dormindo precisam acordar e ver que o mundo se globalizou, a terra ficou plana e que o Japão e a China fica do outro lado da rua, que a televisão mostra em tempo real o Carnaval do Rio com aquele luxo, riqueza e beleza em HD dentro da casa de qualquer santareno. Como eu posso pretender que esse povo goste do nosso desfile pobre e desorganizado?
O melhor que aconteceu no Carnaval foi exatamente o Bloco da Fuleragem, que não pertence a nenhuma associação e sai na Quarta-Feira de Cinzas. Na minha opinião, só nos resta uma saída: fecha-se solenemente e joga-se uma pá de cal em cima das duas associações de blocos, acaba-se com o concurso entre eles, estimula-se a criação de mais blocos, principalmente de empolgação e que esses fiquem aberto para quem chegar, com fantasia ou não, que a prefeitura coloque na extensão da orla várias bandas tocando, ou trios elétricos e que o povo possa brincar a vontade e com segurança.
Que os blocos possam sair pela manhã, outros a tarde e outros que entrem pela noite. Duvido que dessa forma não se acabem com as brigas, picuinhas e provocações. E aí o Carnaval de 2015 com certeza não será, igual a esse que passou.
Sei que estou metendo a mão num vespeiro, mas alguém tem que fazer isso e seja lá o que Deus quiser.
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* É médico anestesiologista em Santarém.