Pá de cal, já, no patético Carnaval santareno

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por Telmo Moreira Alves (*)

Blog do Jeso - Telmo MoreiraApesar de fã e apaixonado pelas festas carnavalescas, tanto de salão quanto de rua, este ano não brinquei, e no período das folias momescas, fiquei ou de sobreaviso, esperando ser chamado no hospital, ou em casa assistindo televisão, principalmente sobre Carnaval e seus desdobramentos em todos os cantos do Brasil.

Conheci coisas interessantes como carnaval montado a cavalo no interior de Minas Gerais, e olhei com olhos mais apurados o Carnaval tradicional e maravilhoso de Pernambuco.

Vi também algo que já havia notado em anos anteriores, o aumento da participação popular nos blocos de empolgação no Rio de Janeiro, também a força e a alegria do Carnaval onde o povo em vez de assistir pura e simplesmente nas chamadas passarelas do samba, participa e brinca nos blocos como nos velhos tempos.

Vi também que os locais mais animados não têm rigidez de regulamentação oficial, muito menos horário imposto por prefeituras ou entidades associativas de blocos e aqueles saem pela manhã, outros a tarde e alguns entram pela noite.

Bloco Fuleragem 2014. Foto: Márcio DezincourtBloco Fuleragem: a única coisa boa do Carnaval santareno. Foto: Márcio Dezincourt

Fiz esse preâmbulo para falar alguma coisa sobre o Carnaval santareno, que também acompanhei pela TV e constatei que a lenga lenga é a mesma. Duas entidades associativas de blocos, as mesmas reclamações de anos anteriores, tanto dos dirigentes de blocos quanto do povo que ainda tem saco pra ir até a orla assistir aquele espetáculo que em alguns momentos podemos chamá-lo de patético. Isso para não baixar o nível.

A ornamentação e infraestrutura do espaço dos desfiles (orla da cidade), que é da responsabilidade da Secretaria de Cultura, estiveram a contento, uma das melhores dos últimos tempos, porém o restante simplesmente foi catastrófico.

É louvável e merece todo o nosso respeito alguns abnegados carnavalescos santarenos, como os descendentes do mestre Bendelak, os da professora Romana e alguns outros pelo empenho e determinação em colocar os seus respectivos blocos na rua. Porém parece que algumas pessoas dormiram na década de 70, exatamente na época em que eu, Osires, Laurimar leal, Izaias Sete, Mangueira, Morenão, Tito Viana e essa turma que ainda está aí, fazíamos carnaval, tudo isso coordenado com muita competência pelo genial Edinaldo Mota.

A TV estava iniciando a transmissão ao vivo e com imagem não muito boa o desfile do Rio e São Paulo ao vivo. Santarém vivia a época do ouro, tinha grana e esbanjadores sobrando. Alguns deles ajudavam os blocos e escolas de samba. Era muito mais difícil sair daqui para outros lugares, por precariedade de vôos, preços altos das passagens etc.

Os carnavais de Alter do Chão e de Óbidos eram incipientes e não atraiam quase ninguém, conseqüentemente tudo que se fazia parecia coisa do outro mundo. Agora aqueles que estão dormindo precisam acordar e ver que o mundo se globalizou, a terra ficou plana e que o Japão e a China fica do outro lado da rua, que a televisão mostra em tempo real o Carnaval do Rio com aquele luxo, riqueza e beleza em HD dentro da casa de qualquer santareno. Como eu posso pretender que esse povo goste do nosso desfile pobre e desorganizado?

O melhor que aconteceu no Carnaval foi exatamente o Bloco da Fuleragem, que não pertence a nenhuma associação e sai na Quarta-Feira de Cinzas. Na minha opinião, só nos resta uma saída: fecha-se solenemente e joga-se uma pá de cal em cima das duas associações de blocos, acaba-se com o concurso entre eles, estimula-se a criação de mais blocos, principalmente de empolgação e que esses fiquem aberto para quem chegar, com fantasia ou não, que a prefeitura coloque na extensão da orla várias bandas tocando, ou trios elétricos e que o povo possa brincar a vontade e com segurança.

Que os blocos possam sair pela manhã, outros a tarde e outros que entrem pela noite. Duvido que dessa forma não se acabem com as brigas, picuinhas e provocações. E aí o Carnaval de 2015 com certeza não será, igual a esse que passou.

Sei que estou metendo a mão num vespeiro, mas alguém tem que fazer isso e seja lá o que Deus quiser.

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* É médico anestesiologista em Santarém.


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10 Responses to Pá de cal, já, no patético Carnaval santareno

  • Tem mesmo que acabar com esse modelo de carnaval… em santarém, onde já se viu… governo bancar bloco que n chegam nem a 300 brincantes…. um bloco de enredo campeão que usou abadá no lugar de fantasias….

    fim já ao modelo vencido deste carnaval.

  • A rigor seu texto expõem sem graçolas o que de fato é o carnaval santareno. A cada ano as mesmas desculpas se repetem e o carnaval se torna pior cada vez mais. Sua sugestão se esbarra no ego altamente inflado daqueles que pensam, erroneamente, serem o alicerce do nosso carnaval, podem estar estarem certos, alicerces de um modelo de carnaval ddecadente e patético.

  • Transportando para Santarém, com as devidas proporções e ressalvas, entre as quais, nenhum “famoso(a)” tomou porre por aqui, vale a pena dar uma lida no texto do Xico Sá no Viomundom, já que tudo virou uma porcaria.

    “Sobre o porre de Vera Fischer na homenagem ao Boni:

    POR XICO SÁ, em seu blog

    07/03/14 02:38

    Estimada Vera, é com atraso, mas com o amor ungido nas cinzas carnavalescas, que te endereço estas mal traçadas. Os manuais de cardiologia recomendam e os homens de boa vontade obedecem: não é bom guardar tais sentimentos. As minhas desculpas por retomar a chatice do tema. Espero que compreendas. Os selos desta carta foram grudados com a resina da compaixão, jamais da pena, sei que me entendes.

    O motivo desta é para dizer que, assim como existe a vergonha alheia, estou com a ressaca moral alheia. Não por ti, obviamente, mas por essa gente, incluindo coleguinhas e santinhos do pau oco de plantão, que exploraram, urubuzisticamente falando, o teu porre de Carnaval.

    Porre + Carnaval, vai somando aí, gente fina.

    Gostei do Miguel Falabella. Neguinho veio cheio da malícia querendo uma declaração moralista, donde ele sapeca, bonito, elogios ao teu profissionalismo como atriz. E pronto, e priu, como se diz em Pernambuco.|

    Ora, um pileque de Carnaval, cheio daquelas verdades necessárias que soltamos justamente no luxo dessa hora. Na minha terra, nas minhas tantas terras, notícia no Carnaval é encontrar alguém sóbrio na folia –os amigos dos retiros espirituais não contam, com todo respeito.

    Parece aquele velho conceito do que é ou não é notícia. Se o cachorro morde o homem, dane-se, não há menor novidade nisso. Notícia é quando o homem morde o cachorro –se bem que hoje basta um ator se espreguiçar no aeroporto, como aconteceu recentemente, que já vira #rastegui.

    Aguentar sobriamente um camarote daqueles, querida Vera, impossível. Ainda mais com uma turma que homenagearia a história oficialíssima da tv, arre, que saco. Isso é bom em um documentário de domingo, não no mundo momesco e fantasioso.

    Foste a vingança de muita gente, foste Vera, a superfêmea, como no título daquele filmaço que fizeste do diretor Anibal Massaini Neto. Foste a grande mulher de sempre, sem mentirinhas ou nove horas, um rosto demasiadamente humano no meio da farsa e da picaretagem nota zero em harmonia.

    Sim, o preço é alto, Vera. Está ficando cada vez mais caro ser mais ou menos parecido com a gente mesmo. É a grande inflação brasileira do momento. A economia moral -nem os romanos antigos foram tão bons nisso- é a cara de pau.

    Repito: estamos tratando de um porre carnavalesco. Nem caberia o critério da genial Angela Rô Rô: “Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê/ Se ninguém tem dó, ninguém entende nada/ O grande escândalo sou eu/ Aqui só”.

    O escândalo c’est moi, caro Flobé.

    Era só este breve bouquet demodê de palavras, Vera, que este cronista sempre com nó na garganta, tinha para te ofertar.

    Com o amor, carinho e um beijo nada técnico, Xico Sá.

    PS do Viomundo: Sobre as transmissões do Carnaval e a homenagem ao Boni (feita pela Beija Flor), como sempre disse meu irmão José Carlos, a Globo é auto-referente, ou seja, cria um mundo paralelo onde só cabem “os seus”. “Olha nós lá na avenida”, disse um dos comentaristas da emissora quando apareceu um carro lotado de estrelas globais na Marquês de Sapucaí. Surpresa-fake, já que o monopólio das transmissões transformou o Carnaval oficial carioca no Carnaval da Globo, com patrocínio… da Prefeitura do Rio de Janeiro. As luzes são da Globo, os horários são da Globo e as estrelas são da Globo. Notem que os atores não tem nome próprio. É fulano da novela tal, fulana do Big Brother e assim por diante. Aquela menina que saiu do Pânico, cujo nome me foge agora — lindíssima, aliás — foi mencionada como alguém “que surgiu no Faustão”. Os enredos foram de tal forma domesticados para atender ao padrão Globo de aceitável que a única surpresa é em gimmicks inventadas por coreógrafos ou baterias cujas roupas e instrumentos piscam. Chatíssimo. Porre plenamente justificado.”

    Chico Corrêa

    PS meu: Aqui não precisa tomar porre. O carnaval é um porre, aquele de batida de jenipapo.

  • É uma pena que o evento popular chamado de carnaval está aos poucos se deteriorando em Santarém…Quando falo em deterioração quero ressaltar está colocação em alguns âmbitos; 1 na organização do evento na orla ( atraso das apresentação ), penso que isso é uma falta de respeito com os cidadãos que sao também os contribuintes porque pagam ( impostos ). 2 a falta de infra-estrutura para os blocos de enredo ( o som que foi contratou ou licitado era de péssima qualidade eu diria ( amador ).. isso porque a Secretaria é quem tem o recurso e faz a tao chamada licitação…
    Tanto é que um dos blocos de enredo foi prejudicado ao todo…
    O que mais me chamou a atenção neste evento foi a discussão que o coronel da PM, inconformado com o lanche apelidado de salpicao.. Que de salpicao nao tinha nada, era apenas ( um arroz cozido com superficial filete de galinha..nao tinha siquer qualquer outro ingrediente que denominasse aquele arroz cozido de salpicao.
    Eu ate estranhei esta nova modalidade de salpicao..
    Entao caro leitor, voce já deve imaginar! se o lanche que foi licitado para ser um lanche imagina as outras coisas do evento?
    Fica aqui esta e outras reflexões para pensarmos: Que tipo de eventos estamos tendo atualmente em Santarém? Que tipo de profissionais técnicos estao nao Secretaria Municipal de Cultural pensando e elaborando os eventos para a população?
    Juliano Marcos dos Santos, Mestre pela UNB em antropologia Cultural, Especialista pela UFAM em Historia da Amazônia, licenciado em pedagogia pela UFPa.

  • Dr. Telmo e justo nossa cidade que já teve um carnaval de primeira.

    Lembro até que na década de 80 as baterias dos blocos e das escolas de samba desciam para a orla aos domingos, ensaiavam e enquanto se apresentavam e até disputavam, nós brincávamos.
    Hoje essa imitação confusa entre o eixo Rio e Salvador da nossa cidade, é patética mesmo.

    Saudades do Breguelhegue, do Ases do Samba e do meu Unidos da Saudade…como disse o poeta do Breguelhegue ‘Que tempo bom, que não volta nunca mais’.

    Eu chei a solução….Fulerei!
    Mas, queria mais, muito mais.

  • Tá certíssimo o doutor. Irreverência, simplicidade, alegria e preços baixos é na terra do Pauxis!

  • Magnânimo Telmo Moreira Alves. Também concordo com suas palavras e acrescento ainda, que o segredo para o sucesso no Carnaval é exatamente a espontaneidade. Se quiser brincar? Cada um faz sua fantasia e brinca. Se não quiser? Acompanha filmando. Fotografando! Ou então acompanha em casa, através dos programas televisivos. Em 2014 o bloco “Só Fuleragem” levou para a avenida espontaneidade e criatividade. Prova disso é a fantasia do carnavalesco “Barbie”, que foi para a avenida dentro da caixa. Parabéns ao bloco e aos brincantes.

  • Texto com precisão cirúrgica e uso perfeito da anestesia.
    Só quem está umbilicalmente envolvido e tem interesses em disputa pode não concordar com a sugestão.
    E creio que não chegue a zero vírgula um por cento da população santarena.
    Que nossas autoridades tenham competência para gerir as vaidades, e que haja bom senso entre os dirigentes das organizações carnavalescas a fim de que entrem em sintonia com os novos tempos.

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