Jeso Carneiro

Proteção aos ricos e acusação à pobre

por Edilberto Sena (*)

Mais um escândalo de parcialidade autoritária na polícia de Santarém. Duas empresas especuladoras desmataram 187 hectares de mata nativa na área urbana, poluindo, além disso, violentamente o lago do Juá, afetando também o rio Tapajós. Por outro lado, duzentos pobres sem-teto ocuparam 22 hectares de uma área improdutiva para construírem suas casas.

Os dois empresários pretendem vender 20 mil lotes na área devastada, para um loteamento de classe média. Não se tem certeza até hoje se a área tem título legítimo de propriedade e se os donos pagam os devidos impostos de todos os anos improdutivos.

Então entra no jogo o delegado e a polícia. Essa imediatamente foi à área ocupada pelos sem-teto, algemou a líder do movimento e a trouxe quase arrastada até a delegacia, e entregou nas mãos do delegado.

O delegado, por sua vez, acusou a líder dos ocupantes de esbulho possessório, formação de quadrilha e desobediência à autoridade. Ameaçou jogá-la no presídio do Cucurunã caso não pagasse dentro de 4 horas uma fiança de 2 mil e 300 reais.

Questionado pelo advogado da acusada se estava baseado em qual lei para acusá-la de formadora de quadrilha, o delegado admitiu desconhecer a relação com a lei 288 que faz tal enquadramento, como também admitiu ter lavrado o esbulho possessório sem conhecer os documentos comprobatórios da legitimidade dos acusadores Sisa/Buruti.

Com tal parcialidade e venalidade, onde fica a justiça?

Por que uma pessoa que entra numa área improdutiva com a intenção de construir casas para seus companheiros morarem é ameaçada de ir ao presídio sob acusação de formação de quadrilha, quando dois empresários há mais de um ano, tendo destruído 187 hectares de mata nativa, sem estudo de impactos ambientais, não são nem acusados de auto de infração que os tornaria criminosos?

Quem cometeu mais grave crime na área urbana de Santarém?

Por que o delegado chama uma pessoa de formadora de quadrilha e não acusa nada os dois que destruíram 187 hectares de mata nativa e destroem o lago do Juá? Onde está a justiça da polícia e do delegado?

A líder do movimento sem-teto foi liberada no último minuto do aviso, após suada coleta de 2 mil e 300 reais entre seus companheiros.

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* Santareno, é padre diocesano. Escreve regularmente neste blog.

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