Foto: Ronaldo Ferreira

Jogadores do São Francisco comemoram a volta do time à elite do futebol paraense, feito conquistado ontem
por Helvecio Santos (*)
Certa vez, visitando um cliente, li na parede de seu escritório uma frase que jamais esqueci: “Quando a luta é grande, os grandes homens lutam!”. Para uma melhor compreensão, necessário se faz a leitura da frase pelo lado contrário. Assim, quando uma grande luta se apresenta, quem não é grande dá-se por derrotado, submete-se ao comando da força que o derrotou ou, simplesmente, foge.
Perdoem-me a imodéstia, quem é rei nunca perde a majestade!
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Por interesses pessoais que se sobrepuseram temporariamente aos interesses coletivos, o querido SÃO FRANCISCO, o LEÃO AZUL Santareno, foi ao chão. Esse tranco nos trouxe sofrimento e não foi pouco, é verdade. Perdemos nossa sede, uma das referências físicas, mas, quem é grande, luta! Perdemos, esclareça-se, nossa sede física. Na verdade, nossa verdadeira sede é o coração de todos aqueles que amam o LEÃO do Tapajós, e não são poucos.
Uma agremiação, no caso, agremiação esportiva, sobrevive a qualquer tsunami se seus alicerces são plantados sobre pilares sólidos, o que é o caso do LEÃO. Pilares sólidos, leia-se, “grandes homens”, e estes foram à luta. Com a sustentação desses pilares, o que era descrença virou esperança e aos poucos o LEÃO foi se erguendo, sacudindo a poeira e lentamente dando a volta por cima. Hoje a esperança virou certeza e para quem luta o bom combate, o céu é o limite.
Copiando Roberto Carlos, os pilares, olho no olho, se disseram “Um grande amor não vai morrer assim”. Uma marola começou a se formar e aquele chamado AZUL zunia no ouvido dos que não se conformavam. Mais um se juntou, mais outro e outros mais, era uma onda AZUL novamente invadindo mentes e corações.
Um clube como o LEÃO é incontornável na formação histórica santarena, na formação de nossos caracteres identificadores.
Fundado em 30 de outubro de 1929, é o decano dos clubes santarenos. Participou de inúmeras campanhas sociais de nossa cidade, citando-se: a “campanha dos postes”, para instalação da rede fornecedora de iluminação pública e domiciliar; construção do Asilo São Vivente de Paula; mureta do Estádio Elinaldo Barbosa; reconstrução da torre da Igreja Matriz, entre outras.
É parte viva da história de Santarém, do Oeste do Pará e será, com a ajuda de Deus, da futura capital e do Estado do Tapajós. Afora paixões clubísticas, se a riqueza de um povo se mede por sua história e pelo culto a seu passado, o LEÃO é parte de nossa riqueza histórica e, sem prejuízo de outros, merece ser cultuado.
Estamos de volta! Ano passado nossa grande vitória foi entrar no Colosso do Tapajós sob uma linda nuvem AZUL. Os que, por temerem e por conveniência, descriam, tremeram. O LEÃO chegara para assumir seu lugar!
Alguns desavisados, pecaminosamente, diga-se, pecado mortal, sentindo o bafo AZUL que já lhes alcançava o calcanhar, disseram que melhor seria se fôssemos disputar o campeonato do Aritapera, eis que sequer conseguíamos ganhar da seleção de Mojuí dos Campos, num explícito desrespeito não só ao LEÃO, como ao esporte do Aritapera e de Mojuí dos Campos. Sem duplo sentido, o orgulho faz mal à saúde!
Os tagarelas não sabiam o que falavam. Tamanha idiossincrasia é desculpável, pois a ignorância é uma dádiva e até conduz à felicidade.
Não queremos calçar o salto alto do orgulho e, certamente, nossa Diretoria não negaria, se convidado, a disputar o campeonato do Aritapera. Afinal, o esporte é fundamentalmente instrumento de congraçamento entre os povos. Assim, que demérito haveria? DDegrau a degrau como é aconselhável para quem quer subir de modo seguro, continuamos!
Ontem, com a honra que nos é devida, honra conquistada nos campos de futebol, validamo-nos para disputar o campeonato de futebol profissional paraense. Aliás, a palavra honra nos cabe na íntegra sem qualquer sombra de dúvidas, pois ganhamos no campo, sem a utilização de qualquer artifício de “tapeçaria”. Ganhamos onde a glória é medida pela competência e não pelas articulações.
Muitos haverão de perguntar o porquê desta minha canção de amor ao LEÃO. Ora, isso vem de priscas eras! Minha história AZUL começou quando cheguei a Santarém e foi amor à primeira vista. Criou substância quando moleque, sem dinheiro, “furava” a bilheteria do Estádio Elinaldo Barbosa pulando o muro que dava para a Escola São Francisco e, definitivamente, se transformou em “Uma história de amor sem ponto final”, quando tive a honra de vestir o sagrado manto, a camisa nº:3, sagrando-me tri-campeão nos anos 1968/70.
Copiando o poeta Ruy Barata, “Pauapixuna”, o AZUL é sempre “Uma cantiga de amor se mexendo”, me inspirando e instigando, tanto que meu guarda roupas no Rio de Janeiro, acolhe, carinhosamente, quatro exemplares do manto, os quais envergo em dias especiais, como ontem. Mesmo quando não os visto, em pensamento acompanham-me onde estiver como uma segunda pele. “Vesti azul minha sorte então mudou”, e minha história se divide em antes e depois dessa decisão. Vesti AZUL, realmente minha sorte então mudou.
Nas palavras do amigo Jeso Carneiro: Sou AZUL, até no Himalaia!
Com a parte final de nosso hino, composto e musicado pelo famigerado Dr.Emir Bemerguy, em sua habitual inspiração divinal, termino esta ovação: ‘Se faltou neste canto triunfal / Dos teus feitos qualquer pormenor, / Tudo eu digo, exclamando, afinal: / “São Francisco”, tu és o maior!”. Alguém duvida?
P.S.: dedico estes escritos aos amigos Raimundo Gonçalves e Pé de Bola – torcedor símbolo e o melhor acari do Tablado – e à minha queridíssima irmã Nildinha, que me santifica com notícias esportivas do LEÃO.
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* É santareno residente no Rio de Janeiro. Ex-jogador do São Francisco, escreve regularmente neste blog.