Jeso Carneiro

Cargill: barcos regionais geram mais riqueza

O post Porto da Cargill completa 10 anos suscitou o comentário a seguir, da lavra do leitor que se assina Leandro Paju:

Jeso,

Um terminal portuário, como o da Cargill, é mera facilidade de transporte. A geração de empregos ocorre na fase de implantação, a construção. Nessa fase são criados muitos empregos. Depois da implantação, o porto deve ficar com o menor número de empregados para diminuir custos. Isso é clássico!

A construção de um terminal portuário não ocorre aleatoriamente, como muitos podem pensar. Ou seja, construir para “estimular a instalação de outras indústrias”. A Cargill já se instalou para uma carga cativa: já existia uma produção para justificar a construção do terminal.

Embarcações regionais fundeadas em Santarém. Atrás, o terminal da Cargill. Foto: Rubem Athias

A obsolescência também é algo que ocorre com portos e terminais. É só observar os portos de Manaus, de Belém e do Rio de Janeiro. Esses portos foram estrangulados pelo crescimento das cidades, pela automação e pelo aumento do tamanho dos navios.

O terminal da Cargill está dentro da cidade. Uma obsolescência é certa: os conflitos de convivência entre a área urbana nobre da cidade e as atividades portuárias de carga.

Outra situação de obsolescência diz respeito ao estrangulamento dessa zona portuária: está confinada entre uma zona de APA (rio acima) e uma zona de uso paisagístico recreativo (rio abaixo).

Embarcações regionais e ao fundo o porto graneleiro da Cargil. Foto: Rubem Athias

Por fim, se forem confrontados os retornos econômicos gerados pelas embarcações da navegação local que utilizam a orla da cidade com os da Cargill, haverá uma grande surpresa.

Aliás, não é uma surpresa. Será apenas a confirmação de uma realidade: a riqueza financeira da região Amazônia circula em conveses e porões das embarcações da navegação local e regional.

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