O post Porto da Cargill completa 10 anos suscitou o comentário a seguir, da lavra do leitor que se assina Leandro Paju:
Jeso,
Um terminal portuário, como o da Cargill, é mera facilidade de transporte. A geração de empregos ocorre na fase de implantação, a construção. Nessa fase são criados muitos empregos. Depois da implantação, o porto deve ficar com o menor número de empregados para diminuir custos. Isso é clássico!
A construção de um terminal portuário não ocorre aleatoriamente, como muitos podem pensar. Ou seja, construir para “estimular a instalação de outras indústrias”. A Cargill já se instalou para uma carga cativa: já existia uma produção para justificar a construção do terminal.
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A obsolescência também é algo que ocorre com portos e terminais. É só observar os portos de Manaus, de Belém e do Rio de Janeiro. Esses portos foram estrangulados pelo crescimento das cidades, pela automação e pelo aumento do tamanho dos navios.
O terminal da Cargill está dentro da cidade. Uma obsolescência é certa: os conflitos de convivência entre a área urbana nobre da cidade e as atividades portuárias de carga.
Outra situação de obsolescência diz respeito ao estrangulamento dessa zona portuária: está confinada entre uma zona de APA (rio acima) e uma zona de uso paisagístico recreativo (rio abaixo).
- Embarcações regionais e ao fundo o porto graneleiro da Cargil. Foto: Rubem Athias
Por fim, se forem confrontados os retornos econômicos gerados pelas embarcações da navegação local que utilizam a orla da cidade com os da Cargill, haverá uma grande surpresa.
Aliás, não é uma surpresa. Será apenas a confirmação de uma realidade: a riqueza financeira da região Amazônia circula em conveses e porões das embarcações da navegação local e regional.