Jeso Carneiro

As mazelas de FHC e Serra

Réplica do sociólogo Válber Almeida aos comentários do post Campanha suja:

Caros, serei honesto e, novamente, tomem o meu discurso aqui como ideológico.

Ainda que com todas as suas limitações, a Democracia continua sendo a melhor forma de governo. Mas não existe democracia onde reina a pobreza, a miséria, o desemprego e o subemprego, porque esses elementos se declinam, simplesmente, como falta de direitos, e falta de direitos significa ausência de cidadania, e ausência de cidadania significa ausência de reconhecimento do valor e da dignidade da pessoa humana.

O reinado de Dom FHC e de seu fiel escudeiro, José Serra, foi marcado pelas piores mazelas sociais, econômicas e morais já produzidas na história do Brasil.

Nunca houve, nem no período colonial, um saque tão sistemático e elevado das riquezas nacionais como nos 8 tenebrosos anos de gestão dessa patota. O desemprego, a concentração de renda, o subemprego, a precariedade no trabalho grassaram e levaram ao desespero e à desilusão milhões de pais de família e jovens.

O Estado foi sucateado e pilhado sistematicamente, quebrando por duas vezes e se colocando de joelhos para o FMI, que foi quem, de fato, governou os rumos da economia brasileira. A Universidade brasileira, que está cheia de pseudointelectuais que arrotam pseudointeligência e pseudosabedoria contra o Lula, entrou em colapso, e isso num governo de pessoas que devem toda sua vida profissional e política à academia.

O Lula, vítima tantas vezes de ignorantes travestidos de intelectuais, reergueu o moral da Universidade brasileira, elevando em quantidade e qualidade os investimentos na mesma, o que mereceu elogios da mais importante revista de ciência do mundo: a Nature.

O governo Lula representou um avanço concreto na direção da consolidação da democracia. E não se trata de populismo. Quem critica o Bolsa Família e outros projetos sociais como populistas ou entende que toda política social que beneficie o povo é populista; ou acha que somente os que sempre tiveram muito da parte do Estado merecem continuar tendo muito e os demais, nada; ou acredita, ainda, que os interesses e necessidades concretas das camadas menos favorecidas da sociedade não são humanamente legítimas e não devem ser objeto de atenção da sociedade; ou, simplesmente, é um completo ignorante nessas questões, que é o caso da maioria que assim qualifica o Bolsa Família e os programas sociais.

Eu acredito, fielmente, que a Democracia educa. E os governos do PT, ainda que de modo lento –mas é assim que a história avança para melhor-, tem trazido para o centro das discussões e do poder questões sociais, políticas, culturais e econômicas que foram obscurecidas por longos períodos de autoritarismo, uma vez que ameaçavam os interesses de uma elite econômica e política insensível para os problemas sociais porque egoísta ao extremo da selvageria.

Não desejo nem que PSDB nem que DEMOCRATAS desapareçam da política nacional e estadual. Mas essas elites precisam se reeducar, entender que a sociedade compreende interesses, valores e visões de mundo diversos, muitos dos quais não somente diferentes, mas também antagônicos aos seus.

Precisam entender que esses interesses são legítimos e devem ser ouvidos, respeitados e que o Estado – o Estado sim, porque o mercado não consegue dar conta dessa função-, precisa criar mecanismo para atender esses interesses. Enfim, essas elites precisam se humanizar, passar por uma reciclagem moral, para entender que existe dor, sofrimento, desespero, mas também esperanças, sonhos e projetos de vida para além dos seus.

Como disse o saudoso Chico Buarque: eu quero um governo que fale de igual para igual com todas as nações do mundo, não um que fale fino diante de Washington e grosso diante de Paraguai e Bolívia.

Os candidatos do PSDB estão fazendo promessas sociais oportunistas, coisas que jamais cumprirão. Os congressos desse partido, assim como do DEM, foram marcados pela reafirmação da agenda política e econômica neoliberal, que menospreza os dramas sociais e é um verdadeiro atentado à humanidade.

Por isso, o voto em Ana Júlia e Dilma continua sendo fundamental para que a Democracia brasileira continue avançando e se consolidando.

Sair da versão mobile