Jeso Carneiro

Exército e amante: quem tem condições

Do leitor que se assina Ivo Mapiri, sobre o artigo Próximo alvo, da lavra do sociólogo Tiberio Alloggio:

Tibério,

Gostei do seu artigo….. Viu, nos fazemos entender melhor quando abordamos os assuntos sem ser sob um viés ideológico…é mais imparcial. Parabéns. Apesar de ter gostado, discordo dos senhores num ponto: os EUA estão indo para o buraco não é devido a cultura da paz, ao contrário, é devido o culto à guerra pelos americanos.

Essa afirmação eu baseio na constatação de que manter soldados fora de bases tem um custo operacional muito elevado (comida, combustível, munição). Como exemplo, uma munição de um canhão moderno, hoje não custa menos de 10.000 dolares americanos….imagine bombardear uma cidade com milhares dessas. Desse modo, não é preciso ser brilhante para constatar que a razão da crise e do déficit nas contas públicas americanas é essa.

Lembro-me da afirmação de um amigo do Exército, quando certa vez tentando explicar-se por que estava cumprindo meio expediente naquele dia, falou que estava naquela situação pela falta de recursos e comida no quartel, concluindo com a seguinte frase: “exército e amante só pode ter quem tem condições” .

Ter exércitos é um hobby caro. São imprescindíveis a qualquer nação, não para invadir outros países, mas para manter a soberania nacional contra invasões e outras ameaças. Ninguém invade um país para defender a democracia ou um povo oprimido. Invade-se por ouro, petróleo, alimentos e outras riquezas, assim tem sido a história da humanidade. O Brasi pode ser um alvo dessa cobiça.

O que os EUA vem fazendo no mundo nada mais é o que Hitler fez com a União Soviética durante a 2ª Guerra Mundial, quando descumpriu um tratado de não agressão e aventurou-se pelo insalubre inverno russo almejando o petróleo e o trigo daquele povo. Os arredores da cidade de San Peterburgo na Rússia são testemunhas dessa afirmação. Lá perceram soldados, não por tiros, mas sim de fome e de frio que são mais identificados com a situação de exaurimento financeiro, não de guerra. Lá, e dessa maneira, caiu o impérios de Napoleão e de Hitler.

A história tem registrado que os impérios atingem o apíce por meio de guerras e por meio delas também caem. A implosão das torres gêmeas por Bin Laden foi um ato simbólico da queda de um império, não pela afronta em sí, mas sim por ela ter ocasionado um impulso belicoso no grande irmão do norte, cujo ímpeto o está conduzindo à falência por intermédio de dispêndios financeiros vultuosos em tantas guerras por “ideais democráticos”.

No nosso grande irmão do norte ainda não caiu a ficha do crescimento do desemprego e do acúmulo da riqueza por uma minoria domininte. Essas características antes eram sinônimos de terceiro mundo, não dessa nação opulenta.

Três grandes crises do capitalismo estão prestes a estourar: a dos EUA, a da Europa e a da China. Ao Brasil cabe somente aguardar o desdobramento delas, mas deve abrir o olho e investir em suas forças armadas, não para invadir outras nações, mas para manter e aumentar o desenvolvimento alcançado e resguardar-se da cobiça internacional.

Não existe exército rico com nação pobre; não existe nação pobre com exército rico; nenhum exército mantem-se operacional com o exaurimento financeiro de um povo. O povo é a identidade de um exército. Em nome de um povo um exército deve lutar, não em nome do lobby da indústria armamentista. O ideal de um soldado deve ser sua gente, nunca o dinheiro. Quando se luta por dinheiro não se arregimenta soldados, contrata-se mercenários.

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