Promotor de Justiça aposentado, Paulo Roberto Corrêa Monteiro (foto) comenta o post “Protesto de médicos é estupidez”, da lavra do professor Samuel Lima:
O Governo Federal precisa atender a situação da regularização do sistema em todo o Brasil, principalmente no que tange à interiorização, e não adianta criar uma carreira médica de Estado, porque não daria certo.
Por exemplo: em 1996, assumi a Promotoria de Justiça de Almeirim, e lá chegando constatei que as crianças não dispunham de um médico pediatra para atendê-las. Então fui ao prefeito local para exigir a contratação de um médico pediatra e assim atender a prioridade absoluta exigida pela Constituição Federal em relação ao atendimento da criança e do adolescente.
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O prefeito me retrucou dizendo que tentava contratar um médico ou médica pediatra, mas ninguém se mostrava interessado em receber o salário da época e trabalhar no município em tempo integral, mesmo com um salário atrativo de cinco mil reais. O certo é que ele chegou a oferecer até treze mil reais por mês, mas ninguém quis ir trabalhar naquele lugar, preferindo ficar nas capitais mesmo recebendo dez vezes menos.
Essa é a realidade do nosso interior do Norte, os médicos preferem trabalhar na capital, e nas zonas metropolitanas do que ir para o interior, principalmente quando este é muito distante da capital.