Jornalista, fotógrafa e professora, Lila Bemerguy comenta o post Semiótica:
Independente da cor partidária, não há como negar que as capas da Revista Veja constituem um objeto de estudo para o jornalismo. Eles não são amadores. Tem conhecimento da forma de enviar a mensagem ao leitor. Não é a toa que o Serra olha para o eleitor, e a Dilma não. A direção do olhar é um dos elementos fundamentais para a força de um retrato.
O uso do vermelho em contraponto ao preto e branco da fotografia dá um nível mais dramático à imagem e proporciona sisudez à Dilma, que não sorri. Oposto à imagem colorida e leve de Serra. Na capa da Dilma, termos como “radicais, capitalismo, crise”, e uma frase pouco contundente (“a realidade mudou, e nós com ela”), despertam “lembranças” no leitor, ligadas ao comunismo x capitalismo. Na capa do Serra a mensagem é clara, contundente e direta: “Serra e o Brasil pós-Lula”. Já anuncia o futuro, profetiza, afirma.
Estudiosos que trabalham com análise de imagens, o “discurso não-verbal”, afirmam que a fotografia é produto de um processo discursivo: o responsável pela informação seleciona e a trata de acordo com seu próprio sistema de valores, sua ideologia. Nesse caso, a ideologia e o “lado” para o qual a revista se volta está claro. E sempre esteve ao longo da história. A grande massa engole como verdade, e assim eles cumprem seu objetivo. Os mais atentos e críticos percebem, desconfiam.
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Um bom assunto para estudo dos acadêmicos de jornalismo. Pra entender o mundo do qual desejam fazer parte.