Do leitor azulino Helvecio Santos, sobre o artigo Se não, não entra no céu, de Raimundo Gonçalves:
Caro amigo Raimundo,
Não conheço amiúde as agruras que atormentam os “clubes das cidades que participam do Parazão” no relacionamento com a FPF. A razão é porque em Santarém, no tocante a futebol, ligo-me somente no que diz respeito ao meu bravo SÃO FRANCISCO, o qual está novamente engatinhando e espero que, logo, logo, comece a andar e também, logo, logo, comece a correr.
Mas creio que o ajoelhamento nosso (do Estado do Tapajós) que v. há algumas matérias comenta, começa quando trazemos “babas” decadentes dos times da capital do estado do Pará e outras capitais do Nordeste e alçamos perante a torcida à condição de estrelas ascendentes do esporte nacional.
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É lógico, como tudo tem exceção, creio que raríssimas existem. Mas a realidade é que a cada término de contrato e às vezes até antes, as filas se formam no aeroporto e a torcida fica sem o título e sem os jogadores, somente com as camisas nas mãos.
No Oeste do Pará temos jogadores suficientemente dotados de técnica para formarmos um grande esquadrão. Mirando o passado, do qual obrigatoriamente se tivermos inteligência devemos tirar lições para o presente, que dizer do futebol de Cristóvam Sena, Jeremias, Cabecinha, Manuel Maria, Cuca, Caveirinha, Bosco, Odilson, Odil, Darinta, Carlito (Galo Moura), Inacinho, Baiano, Edvar, Adilson, Botica, Nezinho, Dias, Corisco, Mazinho, Beleza Preta, Istemir Vilhena, Manoel Moraes e tantos outros que desfilaram nas praças de espote das capitais deste Brasil? Todos, todos, oriundos do Oeste do Pará.
Naquela época, os times da capital do Pará e outras capitais vinham a Santarém já sabendo que levariam uma coça. Hoje, infelizmente, a torcida está domesticada e cada vez que desce um “sulista” no aeroporto, todos batem palmas como se fosse o salvador da pátria. Entendo que aí começa nosso ajoelhamento.
Antes de tudo precisamos valorizar o que é nosso e nesse mister, se forem feitas “peneiras” ou utilizando olheiros em outras cidades do Oeste do Pará, descobriremos muito jogador que bate muito mais bola que os importados.
Essa é a razão porque louvo a decisão do meu SÃO FRANCISCO de privilegiar os jogadores “minhoca” (da Terrinha). O que v. acha dessa divagação? SAUDAÇÕES AZULINAS, extensivas ao nosso amigo Pedrinho Moreira.