Contraponto do leitor que se assina Paracelso ao post Separatistas agem com má fé, acusa deputado:
Caro Jeso, esse deputado [Zenaldo Coutinho] abusa da má-fé. Seus argumentos beiram a imbecilidade.
I – Os municípios de Mojuí dos Campos e Curuá foram criados após a apresentação da primeira versão do projeto e, portanto, jamais poderiam estar presentes no texto primitivo. Ademais, a área do estado está delimitada pelos municípios-limites, e a inclusão nominal dos demais pode ser feita a qualquer tempo, até a realização do plebiscito. Caríssimo deputado, que interesse teriam os separatistas em omitir da população tal “inconstitucionalidade”, se o plebiscito não é um fim em si mesmo, mas um passo necessário à divisão?
II – O orçamento da União já prevê, para o TSE, verbas para a realização do plebiscito. Quanto ao TRE, após autorizado pelo congresso, o orçamento do estado pode ser objeto de emenda com esse fim, inclusive pelo repasse dos recursos alocados ao TSE. O senhor ignorava isso, ou omitiu a informação de má-fé? Não sabe o teor dos projetos que passam pela Câmara, nobre deputado?
III – Não há o mais distante risco de a separação causar “empobrecimento geral”. Os recursos federais a serem inicialmente aplicados na estruturação das instituições dos novos estados vão gerar uma enorme onda de empregos e, por consequência, de renda, criando novas oportunidades de negócios, aumentando o emprego formal e abrirão milhares de vagas, através de concursos, para o setor público, absorvendo integralmente a atual mão de obra ociosa, e atraindo trabalhadores e empreendedores de outros centros. E isso não causará nenhum prejuízo ao Pará remanescente, pois essas verbas orçamentárias não são destacadas dos repasses destinados ao Pará.
IV – Em verdade, nobre deputado paraense, o argumento de que novos estados só geram novas despesas à União é útil aos estados ricos, pois esses perderão convênios, em um verdadeiro movimento de redistribuição de verbas públicas. A riqueza gerada lá financiará a melhoria na qualidade de vida aqui. Como o senhor sabe, os estados mais ricos, além de terem muito mais receitas próprias, também são os maiores destinatários de repasses voluntários, o que significa que o atual modelo enriquece os mais ricos e empobrece os mais pobres. Sua emocional e irracional cruzada só serve, na prática, para beneficiar os estados ricos, em nada contribuindo para o estado que o senhor deveria defender.
V – O Pará remanescente – área que verdadeiramente o senhor visa proteger – experimentará um vertiginoso crescimento com a separação. A esmagadora maioria das indústrias estão nesta área, as estradas pavimentadas, as ruas com esgoto, as escolas com melhor IDEB, a melhor infraestrutura urbana etc. Com a divisão, o PIB e o IDH do Pará o colocaria entre os melhores estados do Brasil. E os novos estados continuariam a depender do abastecimento e beneficiamento de suas riquezas, do parque paraense. Ou as beneficiadoras de ferro e alumínio iriam migrar? Só que o Pará deixaria de ser um estado produtor para ser industrializado, agregando muito mais valor à sua produção, sem os custos (inclusive ambientais) da extração. Como se vê, sua cegueira não atrapalha só a vida de quem quer legitimamente emancipar-se, mas também daqueles que, enganados pelo sue discurso vazio, o reelegerão à Câmara Federal para o senhor poder continuar atrapalhando o desenvolvimento do estado, por não ter competência de destacar-se por projetos verdadeiramente importantes.
VI – Agora vamos falar de interesses eleitoreiros. Deputado, ao criticar o abandono da região e eleger essa situação como desencadeador do sentimento separatista (o que demonstra seu desconhecimento de nossa realidade), demonstre os percentuais do total de suas emendas dedicadas às regiões “separatistas”. Não queremos números inteiros, mas percentuais. Assim, provará que seu interesse não é eleitoreiro, mas que fez algo para igualar os desiguais. Do contrário, demonstrará que esse discurso não é só prova de sua ignorância, mas da mais pura má-fé, digna dos mais pelegos políticos desta nação, que na falta de trabalho, elegem temas populistas e demagógicos para mascarar a incompetência e a pequenez de caráter, revelando-se indigno de representar nosso povo. É por gente como o senhor, nobre deputado, que entra eleição sai eleição, o Pará continua patinando, no mesmo lugar, porque sempre foi representado por gente incompetente, que só sabe contar voto e já se elege pensando na estratégia para se reeleger. O senhor tem sido um entrave ao desenvolvimento do estado e, com a nova bandeira eleitoreira, quer pôr uma pá de cal na única possibilidade de desenvolvimento concreta, seja do Pará, seja dos estados novos. Tudo, obviamente, em troca da reeleição, para não abrir mão do gordo contracheque e vantagens de ser congressista. Qual sua atividade econômica não política, deputado?
VII – Por último, mas não menos importante: saiba que o senhor, com seu discurso vazio e demagogo, está atrapalhando a campanha do governador Jatene. Tentou usar do prestígio que o candidato tem demonstrado por onde passa, atrelando seu sectarismo ao nome de Jatene, sem que aquele tenha dito nada. Aqui no oeste a campanha vai (ou ia) de “vento em poupa”, e certamente nossos votos ajudariam uma vitória no primeiro turno. A deturpação de sua irresponsabilidade está servindo de argumentos mentirosos – tática petista que já não surpreende ninguém, mas que infelizmente acaba repercutindo e convencendo alguns poucos. Veja o exemplo do Jeso, mesmo discordando veementemente deu sua posição, lhe permite defendê-la. Isso é conduta ética e democrática. Aprenda e faça igual: mesmo discordando da separação (o que é um direito seu), não atrapalhe a oportunidade de o povo manifestar-se. E vê se não tem a cara de pau de voltar por aqui.