por Vicente Malheiros da Fonseca
A Tecejuta era uma das primeiras fábricas da cidade, que gerou empregos e marcou época. O empreendimento despertou a atenção até do Presidente da República, Getúlio Vargas.
Além de Tuji, diretor-gerente, integrava a diretoria Elias Ribeiro Pinto, pai do jornalista Lúcio Flávio Pinto. Meu avô Vicente Malheiros da Silva era membro do conselho fiscal.
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No dia do lançamento da pedra fundamental da fábrica, em dezembro de 1952, meu pai Wilson Fonseca (maestro Isoca) compareceu e me levou para assistir ao evento tão importante para a vida da cidade. Eu tinha um pouco mais de 4 anos de idade e me lembro como se fosse hoje. Foi uma festa.
Muitos anos depois, já como juiz do trabalho substituto, em Santarém, julguei vários processos trabalhistas em que a empresa funcionava como parte demandada. O preposto era o Sr. Lahire Cavalero e o advogado o Dr. Silvério Sirotheau Corrêa.
Um fato engraçado envolve o barbeiro santareno Pedro Santos, um dos autores da bela valsa “Pérola do Tapajós”, composta em parceria com Wilson Fonseca, e letra de Felisbelo Sussuarana (1935). Pedro “Cauauá”, como conhecido, além de flautista e compositor, tinha uma barbearia na Av. Presidente Vargas, em Belém, quase esquina com o prédio dos Correios e Telégrafos, e desfrutava da fama de estar sempre atualizado sobre tudo que ocorria em Santarém.
Foi ele que raspou a minha cabeça quando me tornei calouro pela aprovação no vestibular de Direito. Em certo dia, alguém, que tinha passado nos Correios, ali perto, entrou na barbearia e foi logo contando a novidade, que acabara de ouvir pela transmissão do sistema de fonia da ECT: “Pedro, tu já sabes da última lá de Santarém”?
Ele respondeu: “conta aí, amigo”. O sujeito, então, imaginando que estava trazendo alguma notícia inédita, proclamou: “está pegando fogo no depósito de juta do Tuji”. E o Pedro, interrompendo o corte de cabelo de um cliente, não sem antes bater o pente e a tesoura, respondeu, calmamente: “não te preocupa, pois já apagaram o fogo!”.
Todos ficaram atônitos e imaginaram como era possível o barbeiro saber disso tudo? Ora, o Pedro Cauauá, pessoa extraordinária, sempre estava mais atualizado do que todo mundo a respeito das coisas que aconteciam na terra querida. E não era conversa de barberia…
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