por Manuel Dutra
A experiência faliu pelas mesmas razões como faliu a tentativa de implantação de um parque industrial em Belém, há pouco mais de um século, no embalo dos excelentes resultados do ciclo da borracha. O setor moderno está hoje em Manaus, embora a indústria incentivada pela renúncia fiscal seja uma realidade artificial que necessita de constantes renovações legais, como há pouco fez a presidente Dilma Roussef. Por si só a Zona Franca não caminha.
No fundo, porém, está a “vocação” histórica da Amazônia: fartura de recursos naturais que “devem” ser exportados in natura para beneficiar a indústria e os mercados externos, nacionais ou estrangeiros. Já imaginou se, em vez de exportar a madeira a Amazônia se tornasse um celeiro de indústrias de móveis? Já imaginou se, em vez de exportar tão-somente a soja em grão a região de tornasse um pólo produtor de óleos e tantos outros derivados da soja?
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Assim, permanecendo na condição de colônia, a Amazônia do século 21 pouco difere, na essência, da Amazônia do século 17. A Tecejuta é apenas uma gota a demonstrar essa “vocação” imposta e perversa. Resultado: Nem exportação da fibra industrializada nem da fibra natural, cuja cultura faliu em toda a região por desleixo das elites locais e desinteresse dos diversos níveis de governo.
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