Jeso Carneiro

Floresta em pé rende mais que pecuária

Um estudo encomendado pelo Ideflor (Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado) do Pará comprova que manejar e manter a floresta de pé é um bom negócio.

O estudo revelou que cada hectare de floresta manejada pode render R$ 661,75 por hectare.

O valor obtido é superior ao de outras atividades de uso alternativo do solo, como a pecuária extensiva, cujo hectare rende cerca de R$ 150/ha e a lavoura de grãos [soja, por exemplo], que rende em torno de R$ 350/ha.

O resultado final do estudo será apresentado na reunião da Câmara Técnica Setorial de Florestas, hoje (25), no Hangar, em Belém.

O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores, sob a coordenação do professor da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), Antônio Cordeiro. Os dados foram levantados nos municípios de Bagre, Chaves, Afuá, Portel e Juruti.

O mercado local de madeira em tora foi importante para a definição do preço da madeira em pé. O preço médio da madeira em pé foi de R$ 27,2/m3.

Nesses municípios, o Ideflor mantém contratos de transição, ou seja, autorização temporária para o uso dos recursos florestais em áreas públicas, prevista na lei de gestão de florestas publicas 11.284/2006.

Outro ponto analisado foi a cadeia de valor da madeira em tora para a determinação da margem econômica desta atividade. Segundo Cordeiro uma margem positiva atesta a viabilidade do negócio.

“No caso desta cadeia, além de gerar uma margem positiva os valores são relativamente superiores aos gerados nas atividades que concorrem para o desmatamento na Amazônia para se estabelecerem. Este resultado conduz a nova dinâmica de reestruturação da atividade florestal, uma vez que passa a integrar ao portfólio dos tomadores de decisão e dos órgãos de fomento”, argumenta.

O lucro médio da extração e comercialização da madeira em tora no mercado local foi de R$ 26,47/m3, tendo um valor mínimo de R$ 16,91/m3 para as espécies da categoria C4 (madeira branca) e um máximo de R$ 76,40/m3 para as espécies da categoria C1 (madeira especial).

“Assim, para uma extração de 25 m3/ha nos planos de manejo das florestas nas áreas dos contratos de transição gerenciados pelo IDEFLOR, gera-se um lucro médio de R$ 661,75/há”, destacou o estudo.

A margem de comercialização mostrou que a sociedade tende a se apropriar de 11,9% do valor econômico gerado na cadeia de madeira oriunda dos contratos de transição.

Segundo o diretor geral do Ideflor, Jorge Yared, o estudo rebate o pensamento de que a floresta não tem valor e é um empecilho ao desenvolvimento, por isso deve ser derrubada.

“É claro que para a atividade florestal se tornar cada vez mais viável ainda precisa de um maior aprofundamento das políticas públicas, mas o estudo pode subsidiar a elaboração dessas políticas com a definição de indicadores importantes para mostrar o potencial de nossas florestas. Afinal, a atividade florestal é mais lucrativa que muitas outras atividades e traz benefícios não só econômicos, mas sociais e ambientais”, destacou Yared.

Fonte: Ideflor/Pará

Sair da versão mobile