
Estamos vivendo novos tempos, ou são os tempos velhos que estão querendo voltar? Porque um dos assuntos mais discutidos nas redes sociais por muitas pessoas é o voto impresso. Quem já se imaginou na hora da votação ter que marcar num papel o candidato desejado e depositá-lo numa urna?
Eis o tal do voto impresso… Esquecê-lo? Trazê-lo de voltar? Afinal, o que pode mudar mesmo com isso? Seria o fim das supostas fraudes ou o retorno delas? Seria a conquista de alguma liberdade no processo eleitoral ou um novo cárcere e, ao mesmo tempo, um mundo paralelo da democracia?
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Olha que esse mundo é louco, mas, como vemos, o Brasil vai muito além das loucuras desse mundo. Um lugar onde um leigo questiona, sem o menor entendimento, pesquisas e conhecimentos científicos, usando citações bíblicas e o nome “Deus” para se justificar, comparando o Brasil a países muito distantes de sua realidade, usando teorias próprias e sem qualquer fundamento para manipular milhões de pessoas, que acabam por aderir a essas manipulações, tornando-se fantoches incapazes de usar pensamento próprio e de serem imparciais diante das declarações desse dito leigo.
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Se é para voltarmos no tempo e votar com cédulas como décadas atrás, por que não poderíamos também usar de outras coisas e acontecimentos do passado e acordar sem uso do despertador e depender do canto do galo? Aliás, poderíamos deixar de lado o relógio digital e voltarmos a usar o relógio solar? Não seria mais confiável? E pra quê continuarmos com o uso do celular se seria mais prático voltarmos à fila do orelhão?
Bem, se o leigo brasileiro disse que é mais confiável o que se usava antigamente, como o voto impresso, por achar ser mais seguro, vamos obedecê-lo. Vamos deixar de utilizar lâmpadas de led também. Voltemos às lamparinas! Assim poderíamos diminuir o valor da conta de luz, não é? Ou poderíamos assistir em televisor de tubo ao invés de smart TV.
Bem, deixemos pra lá o Dropbox ou One Drive e voltemos ao uso do disquete. Pra quê salvar nas nuvens? De repente os arquivos se perdem no vento… Muito melhor do que isso, seria mais viável usarmos novamente a máquina datilográfica ao notebook.
Talvez o líder do país recomende aos brasileiros deixar de utilizar provedores de filmes e recolocarmos na nossa estante os videocassetes. Alguém se importaria deixar de ler um blog para ir à banca de revista comprar o velho jornal impresso? Melhor do que todos: WhatsApp?
Por que utilizar esse aplicativo se podemos, sem problema algum, escrever cartas para que o carteiro faça a entrega nas casas? Tem certas coisas do passado que ainda são extremamente importantes e insubstituíveis, como ler um impresso e ter o hábito de escrever.
Mas a rejeição de outras coisas, como a urna eletrônica, de onde nunca se comprovou fraude, seria uma tentativa de fazer voltar, por exemplo, o voto de cabresto, não é? Grande parte da sociedade brasileira desconhece a sua história, não tem o hábito da leitura e praticamente não sabe de fato o que seja política, o que deveria ser obrigatório no ensino das escolas.
Já dizia o pensador grego Platão: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”.