Jeso Carneiro

Apocalipse

por Sérgio Freire (*)

O amor morno é o pior dos amores. O amor frio se mostra, o amor quente se consome. Mas o morno… O beijo é bom, bate o ponto do afeto, mas não tem projetos para o futuro. O amor morno é um burocrata. O sexo é protocolar.

Não é ruim, mas não é como já foi nem é como merecemos. O amor morno é um amor acomodado. Dá pra viver com ele pro resto da vida? Dá. Mas a pergunta é: por quê? Pra quê? Viver no amor morno pode ser um sinal de desistência do amor pleno.

É amor de IBGE, de censo. ‘Você ama? Sim ou Não? Amo, sim. Bota aí, moço’. Pronto. Aparece nas estatísticas, como as pessoas que mal assinam o nome e aparecem como alfabetizados. São mesmo analfabetos funcionais. É isso: o amor morno é não-amor funcional. Parece que é, mas não é.

Viver no autoengano do amor morno é uma escolha. Uma das piores escolhas para quem um dia sentiu frio na barriga, mãos suadas, coração saindo pela boca. É muito pouco amor o amor morno. Ninguém merece ficar em banho-maria nos afetos…

Antes fosses frio ou quente, mas porque és morno vou te cuspir da minha boca. Palavra da salvação!

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* Amazonense, é escritor, professor doutor e tradutor, além de blogueiro. Escreve regularmente neste blog.

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